domingo, 27 de abril de 2014

UMA CIDADE PARA PASSEAR

 Magnífica! Soberba! Fantástica!

 Um lugar onde não há veículos, os únicos permitidos são os carrinhos de bebê e burros sem rabo para socorro médico. Os deslocamentos são todos feitos a pé ou então de barco pelos canais que cortam em zig-zag as vias da cidade: os vaporettos, taxis e gôndolas para passeios turísticos.

 O traçado das ruas, em sua maioria estreitas, mais parece um labirinto para os visitantes divertirem-se de se perder e de se achar; deve ter sido desenhado por alguma criança dos tempos antigos. De quando em quando uma praça (um Campo). Embora tenha atingido o seu apogeu na Idade Média não se veem fortificações, muralhas e canhões. 

 É Veneza de todos os encantos. Uma cidade única que apesar de visitada por tanta gente de todo o mundo acolhe a todos com charme e calor humano. Afinal estamos na Itália. Às vezes é preciso esperar com calma o corso de gente a atravessar pequenas pontes, mas nada que atrapalhe o caminhar pela bella citá. 

 Como é bom estar em Veneza e parar nas bancas e quiosques para apreciar as famosas máscaras do Carnaval Veneziano que sugerem um certo mistério para assustar e brincar. E terminar a noite com um bichieri de vino antes de ir para casa.

sábado, 11 de maio de 2013

PELA PENÍNSULA IBÉRICA


Aqui vamos seguindo pelas estradas, entrando nas cidades, nos acomodando pelos hotéis, pegando os mapas, escolhendo percursos, caminhando pelas vielas, praças, ruas e avenidas, por subidas e decidas, às vezes escadas, conhecendo igrejas, palácios, mosteiros, castelos e lojas, lojinhas e lojonas. Assim vamos,tal como cavaleiro andante, sem cavalos andaluzes, apenas com nossos pés.

No Algarve apreciamos muito as estradas impecáveis, as casas recém pintadas todas de branco, tudo muito limpo e um povo adoravelmente bem educado e cordial. Já não falamos o mesmo destes espanhóis, em grande parte, carrancudos e as vezes grosseiros e mal educados. Claro que há exceções e muitas. Nada de estereótipos, mas que perdem de dez a zero dos portugueses não há dúvidas, hehehehehe. 

Destaque para a primavera, a estação das flores, com suas cores e formatos e também para os aromas que sentimos pelas ruas e jardins. Há praças com laranjeiras plantadas, todas floridas e com algumas frutas maduras. O perfume é tão gostoso que a gente se pergunta porque não se plantam estas árvores em todas as ruas e praças do mundo. Os pássaros agradeceriam e os japoneses ririam de nós embaixo de suas cerejeiras. 

Registro: é muito bom passear pelos jardins da Alhambra em Granada.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

DE REGRESSO À LISBOA


Oh! Porto de partida de navegações que, sempre a todos acolhes, tens tanta história a contar nas tuas calçadas atapetadas de pequenas pedras. Os visitantes que por elas caminham mostram sorrisos de alegria e se divertem a comentar-te em todos os idiomas, transformaste-te em uma cidade turística que aos portugueses não mais pertence, como tantas outros lugares por este mundo afora.

Em meio a tanta alegria sinto-te triste, mais que melancólica como sempre fostes. Sinto-te acabrunhada, pessimista, sem fé no futuro. Falas da crise, da crueldade dos financistas que cortam teus salários e proventos, do desemprego que angustia os jovens e aqueles que olham para o além do hoje.

Não permitas que o desrespeito e a violência tomem conta de tuas ruas e travessas. É preciso que repitas a todos os patrícios e forasteiros: caminhem tranquilos pelo Rossio a qualquer hora, porque estão em Portugal, estão em Lisboa e aqui as pessoas se respeitam.

 Oh! Lisboa de encantos tamanhos és maior que a crise que andam a falar por aí. Saberás içar as velas e partir a descobrir novos caminhos. Afinal és porto de grandes navegações e descobertas.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

SÍNDROME COMPULSIVA A ULTRAPASSAGEM (UCS)


Em recente publicação científica, o departamento de Altos Estudos de Driver, da prestigiosa Universidade de Detroit, fez divulgar a descoberta de uma Síndrome que acomete populações inteiras em diversos países do mundo, causando enormes transtornos à circulação das pessoas, problemas de acidentes sérios, muitas vezes, provocando mortes e seqüelas graves.

A descoberta realizada pelo pesquisador, professor Dr. Michael S. Runner e base de sua tese de pós doutorado, como sucede aos cientistas em seus grandes insights, ocorreu em uma viagem de automóvel entre Oslo e Bergen, quando o professou observou que pela estrada os veículos seguiam a indicação de velocidade máxima de 60 Km, todos em fila, sem ouvir-se som de buzinas e nem ultrapassagens. O mestre e sua esposa fizeram uma viagem comparável a um passeio relaxante pelas estradas-jardins da Noruega. A única exceção, durante todo o trajeto, foi ter visto um carro Mercedes Benz com um dístico “D” no pára-choque que passou por eles em alta velocidade.

Aquela sensação agradável por eles experimentada, porém, levantou-lhe uma questão teórica:

“Porque ocorre aos indivíduos na maioria das cidades e estradas do mundo que ao se aproximarem de um veículo a sua frente sentem uma irresistível vontade em ultrapassá-lo?”

Ao retornar de suas férias resolveu apresentar sua questão ao colegiado de professores do Conselho de Pesquisa, e dissertou sobre sua intenção em desenvolver um trabalho que aprofundasse a questão apresentada. Gostaria de conhecer como esta síndrome se apresentava distribuída por faixa etária e gênero. Se há variação significante entre motoristas profissionais e amadores, taxistas e motoboys. E também, estudar se os acidentes com carros, caminhões, ônibus e outros veículos, bem como atropelamentos, têm alguma correlação com o comportamento compulsivo identificado. Todos aplaudiram, mas os colegas se entre olharam e ficaram divididos entre aqueles que achavam que a tese poderia conduzi-lo a um Prêmio Nobel e aqueles, mais pragmáticos que previam cortes nas doações das indústrias para a Universidade.

O professor parece resolvido a avançar em seus estudos e publicou em revista científica seus propósitos de pesquisa. Vamos aguardar pelos resultados.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

POR DEBAIXO DA BURCA


Estes ocidentais não sabem de nada, apenas se chocam por verem-me totalmente coberta de vestes impecavelmente pretas deixando a mostra somente meus olhos. E o que vêm e não percebem: os olhos de uma mulher. Algumas vezes percorrem meu corpo com o olhar de alto abaixo num misto de curiosidade e cobiça. Alguns se chocam ao observarem meus olhos cuidadosamente pintados com contornos fortes, meus olhos negros e brilhantes, minhas sobrancelhas rigorosamente delineadas em contornos suaves, e meu olhar firme e seguro. Quem serei?

Minhas bolsas elegantes, a barra da minha calça jeans desbotada à mostra quando caminho pelas ruas com meus tênis new balance, os intrigam ainda mais, não sabem de nada... Em suas mentes pensam-me dominada por homem perverso com seu harém. Acham-me coitada, indefesa, explorada e incapaz de reagir. Nem lhes passa pela cabeça que sou mulher por inteiro, que ao inverso do que pensam, nossos homens nos querem suas mulheres e nós os queremos nossos homens e eles gostam do nosso jeito de ser, de nossas manhas e charmes.

Eles morrem de medo de nos perder e adoram que nos escondamos dentro de nossas burcas só para eles. Assim nós os ganhamos e eles são nossos porque sabem que nossa pele protegida do Sol é suave como são os tapetes onde nos aconchegamos.

Esses ocidentais se perguntam o que haverá embaixo destas burcas. Pois é, vão ficar perguntando, hahahahahaha!!!!!!

domingo, 30 de setembro de 2012

ENTRE GATOS, MINARETES, BURCAS E PROLES



Viajar por estas bandas da Turquia e do Oriente Médio onde a maioria da população é muçulmana faz-nos rapidamente acostumar a ouvir o chamamento às orações realizado pelos almuadens, com seus alto falantes em volume elevado. Não há um conjunto de casas que não tenha uma Mesquita, estas dominam a paisagem das cidades e dos campos. Em Istambul dizem que há mais mil mesquitas. Ao invés de igrejas com suas torres e cruzes, vemos mesquitas com minaretes e com crescentes. No lugar do som dos sinos ouve-se o estridente anúncio das rezas, cinco vezes ao dia, começando antes do raiar do Sol. Por estas bandas, a Cruz Vermelha chama-se Crescente Vermelho.

A maioria das mulheres veste-se segundo o padrão de que os braços, pernas e cabeça devem estar sempre cobertos. As mais jovens em grande parte usam vestes negras e várias usam burka, ficando à mostra apenas os olhos, impecavelmente maquiados com sobrancelhas cuidadas. Se ainda fossem freiras...

Ao contrário, a população islâmica cresce para gáudio dos imãs e suas mesquitas. Os pais, homens sérios, com mulheres usando burka e uma escadinha de crianças. “Crescei e multiplicai-vos e dominai a Terra”. Não são apenas os árabes e israelitas que agem assim, como pudemos constatar na Jordânia, Líbano e Israel. Os turcos também.

Quem parece querer competir com os humanos são os gatos. Nunca vimos tantos gatos pelas ruas, avenidas, restaurantes, bares, lojas, em todo lugar. Quase sempre bem cuidados, os gatos turcos são gordinhos e saudáveis. O mesmo não podemos dizer dos gatos da Jordânia, sempre esquálidos e magricelas.

Não vimos churrasquinho de gato, apenas castanhas torradas e milhos assados.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

BEIRUTE - DA GUERRA À PAZ

De repente, estávamos à vontade, os motoristas fazendo bandalhas de deixar complexado qualquer motorista de taxi do Rio de Janeiro, as ultrapassagens de todos os modos, contramão é uma mera formalidade e os sinais vermelhos são apenas decorativos. Esta é Beirute cheia de carros de luxo, onde se assiste Ferraris vermelhas circulando entre Mercedes, Maserattis, Audis, Porches e sei mais lá o quê.

Como na Jordânia e na Turquia os investimentos imobiliários a todo vapor. Parece que estamos na era da construção civil. Peço socorro, por favor, chamem arquitetos, urbanistas, ambientalistas, engenheiros e artistas plásticos depressa, porque só querem construir em todo lugar sem pensar em mais nada. O horror se espalha por todos os cantos do planeta, querem colocar toda a humanidade dentro de caixotes de cimento. Help!

A cidade ainda mostra as marcas das batalhas de rua havidas na guerra civil entre cristãos e muçulmanos durante os anos setenta e oitenta do século passado. Veem-se muitas marcas de tiros em edifícios públicos e particulares; muitos prédios semidestruídos e abandonados. Morreram cerca de 250 mil pessoas. A maioria dos sobreviventes chora até hoje a morte de amigos, colegas ou familiares. Inacreditável que o Líbano um país de alto nível cultural tenha passado recentemente por tais horrores. Ainda persiste em muitos o receio de visitar o país por causa da memória desta guerra fratricida.

O centro de Beirute, em tudo chic, permanece quase vazio de turistas, sobretudo nestes tempos de lutas sangrentas no país vizinho, a Síria. Beirute, a cidade capital do Líbano, um dia chamado de Suíça do Oriente Médio, hoje se encontra em meio a um processo de reconstrução, cujo dinamismo começa a deixar para trás o sofrimento daqueles anos de pesadelo.