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domingo, 10 de fevereiro de 2008

Torres del Paine


Quem gosta de viajar por estradas de terra cheia de pedregulhos, com muitas curvas, subidas e descidas, passando em meio a fazendas e tendo que tomar cuidado para não atropelar animais silvestres, pode experimentar alugar um carro em El Calafate na Argentina, atravessar a Cordilheira em Cerro Castillo e visitar no Chile o Parque Nacional de Torres del Paine.
O forte da região é sua beleza natural: montanhas com picos nevados e enormes formações de pedra cuja forma se assemelham a torres e que apresentam varias faixas de cores a mostrar sua estrutura de formação geológica. Uma imagem natural que enche os olhos. Neste ambiente natural os programas concentram-se em caminhadas por diversas trilhas para buscar as melhores vistas das próprias “torres” e também dos lagos cujas águas refletem inúmeras cores deslumbrantes, alem da graça de suas pequenas cachoeiras. Uma câmera fotográfica é um instrumento indispensável nestes passeios.
Não recomendamos o que fizemos: alugar um carro pequeno (corsa) e viajar pelas estradas de lá, todas bem feitas, porem com muita pedra e desníveis fazendo o auto bater a todo momento no chão. Para viajar por ali é necessário um auto mais alto, tipo turismo rural, pois as distâncias para realizar os passeios e excursões são de trinta a quarenta quilômetros dentro da reserva natural.
Como não permitem a construção de postos de gasolina dentro da área o jeito foi se virar no mercado paralelo (informado pelo pessoal da administração) e pagar três vezes o preço do praticado na Argentina. Visitar Torres del Paine guarda mais emoções do que as reveladas por sua beleza natural.

terça-feira, 21 de novembro de 2006

Chile


Um país sul-americano parece estar saindo do rol dos subdesenvolvidos. Visitar o Chile, mesmo que por duas semanas, oferece ao passante a sensação de estar num lugar onde as coisas funcionam, onde não é raro ouvir da população expressões de auto-estima elevadas. Também pudera, a educação está universalizada e a desgraça do analfabetismo erradicada. O principal patrimônio do país são os chilenos educados e cordiais. Mesmo com uma economia que depende basicamente do cobre, da produção de frutas, pescados e vinhos, eles estão conseguindo manter durante vários anos taxas de crescimento elevadas o que torna visíveis a olho nu seus resultados. As estradas chilenas nada devem às dos países europeus, a frota de automóveis é nova. O Metro de Santiago é um show, e já possui uma rede maior que a da cidade de São Paulo. Não se observam favelas e casebres mesmo nos ambientes mais pobres. Os conjuntos habitacionais são mais criativos que os nossos. Vêem-se novas construções de modernos edifícios por todos os lados e sua capital prima pela limpeza e comportamento coletivos exemplares. Convivendo com a poluição atmosférica, Santiago é também, uma cidade arborizada, e suas ruas e avenidas têm calçadas largas. O incrível é que eles conseguem ainda se identificar como pedestres e a gente estranha que os carros parem e aguardem as pessoas atravessarem as ruas.
É para pensar: uma das principais atrações turísticas do Chile são as vivendas construídas por seu poeta maior Pablo Neruda (La Chascona em Santiago, La Sebastiana em Valparaiso e a de Isla Negra). O personagem principal do filme “O Carteiro e o Poeta”, Don Pablo foi escritor, intelectual, político, militante do partido comunista, diplomata e ganhador do Prêmio Nobel de literatura. Ele faleceu de desgosto e infarto, ao ver sua casa de Santiago empastelada, alguns dias após o golpe de estado de 1973, que vitimou seu amigo e companheiro Salvador Allende. Ele mora no coração e na memória de seu povo.
Mas é, na deslumbrante Região dos Lagos Chilenos, sem dúvida uma das mais lindas do globo, que o espírito se enternece. Protegida por seus parques nacionais, a paisagem combina a cor esmeralda das águas dos lagos, com a paisagem das montanhas nevadas e serras cobertas de florestas verdes. Nas estradas de acesso, uma vegetação sem-vergonha, como se fosse praga, decora de amarelo os caminhos. O Monte Osorno, vulcão adormecido, com suas neves eternas, forma um cone que se assemelha a um sorvete de pistache coberto de calda de chocolate branco, que os mais viajados dizem se parecer com o Monte Fuji, no Japão.

“À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava, a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.”
in “O teu riso” Pablo Neruda