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quarta-feira, 4 de maio de 2011

ADEUS CÓRSEGA

Nossa visita a Córsega durou seis dias. Foi pouco. Se fosse quatro semanas estaria mais bem calculada. A ilha é bela de norte a sul: as montanhas, a cor do mar, os contornos rochosos. Há inúmeros passeios que podem ser feitos de carro, de barco, de bicicleta ou a pé. Tem para todos os gostos. Esta época do ano, final de abril, é especial, com clima bom e não muita gente. Aliás, para se aproveitar a Córsega é fundamental que o tempo esteja bom, pois os passeios são ao ar livre e também porque suas estradas são estreitas e sinuosas, subindo e descendo seu relevo super acidentado. Não consigo me imaginar dirigindo por estas estradas com neblina ou muita chuva, ladeando abismos e precipícios.

O ponto alto da viagem é a cidade de Bonifácio construída sobre as falésias, debruçada sobre um mar de cor verde deslumbrante. A cidade é antiga, com ruelas charmosas cheia de bares e restaurantes, convite para caminhadas ao por do sol. Em seu porto um esquema bem organizado de passeios marítimos permite observar os “paredões de pedras róseas” que sustentam a cidade em seu cimo. Bonifácio é sem dúvida o objetivo número um de uma visita a região.

Outra programação importante são os diversos passeios marítimos pela ilha, as “Promenades en mer”, que também dependem do clima, não combinam com excesso de ventos e mar agitado. Estes deliciosos passeios permitem contemplar do mar as montanhas que mostram figuras gigantescas, grutas e cavernas, lembrando estórias de piratas e corsários (vale um trocadilho).

Os locais de referência principais para estes passeios são: Ajaccio que é a capital da Córsega e de onde saem diversos circuitos e Porto outro lugar para se iniciar excursões. Pode-se passar o dia inteiro percorrendo o litoral ou passeios curtos perto das cidades portuárias. Não é preciso ser dono de lanchas ou iates para curtir o Mar Mediterrâneo.


A estrada estreita que une Ajaccio a cidade do Porto é fantástica, com suas curvas fechadas, serpenteando os morros, permite ver de dentro os/as Calanches (morros de pedras de diversas cores, onde predomina o avermelhado, que brotam do mar). Há diversos pontos de parada que formam belvederes de onde se podem apreciar suas formas e cores.

Não fomos a Girolata-Scandola, no nordeste da ilha, as fotos prometiam lindas paisagens, mas demos a volta de carro no Cap Corse bem a norte. Foi uma boa chegada, mas perde por muito da outras regiões. Enfim: Adeus Córsega, levamos boas lembranças de suas belas paisagens e a cordialidade das pessoas.

sábado, 30 de abril de 2011

CIRCULANDO PELA CÓRSEGA

Chegamos dia 27 de abri, ao final da tarde, em Bastia considerada a capital da “Alta Córsega”. Após um sono regenerador, logo às oito da manhã pusemos o pé na estrada para contornar o Cap Corse que fica ao norte da ilha. Rodamos por estradas estreitas e mal conservadas, de quando em quando, apreciando os abismos que desenhavam os contornos do mar. Sol aberto e muita nebulosidade no horizonte. Parece que em dias transparentes pode-se avistar a Itália e longe o cume dos Alpes nevados. Sei não! Mas, as paisagens são ma-ra-vi-lho-sas, como dizem os gaúchos.

Um dos lemas da Córsega é: “Ilha da Beleza”, mas poderia também ser: “Ilha das marinas”. Em um trecho de mais ou menos duzentos quilômetros passamos por quatro marinas enormes, com muitos veleiros e lanchas de respeito. Pois é, parece que essa turma do Mediterrâneo gosta de navegar, faz muito tempo, não é?

Hoje, dia 30, estamos em Ajaccio, capital da Córsega e terra natal de Napoleão Bonaparte. É a maior cidade de ilha, e mostra pujança e animação.

Estamos em enorme expectativa, pois vamos fazer um passeio de barco que promete mostrar as maravilhas dessa costa de natureza exuberante! Vamos `sacar` muitas fotos.

Dizem que o idioma local é o Corso. Vemos nas placas o movimento nacionalista riscando as palavras em francês, mas por enquanto não deu para perceber o quanto é forte a cultura local. Não sabemos se eles têm tanta areia no caminhão para poder se separar da França ou se é apenas juntar forças para se fazer respeitar.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

BORDEAUX

Uma surpresa muito agradável nos aguardava em Bordeaux, a de sermos convidados a jantar na casa de um cuisinier profissional. O menu “simples” como convinha. De aperitivo um foie de canard (pato) entier acompanhado de um vinho tipo sauterne. A entrada era uma troxinha de maçã com queijo de cabra, além de salada verde. O prato principal um magret de canard ao mel e ervas com batatas, acompanhado de um vinho tinto Bordeaux da safra especial de 2005. De sobremesa uma torta de chocolate/café. Tudo feito em casa ( a la maison). Não poderemos jamais comer pato novamente na vida pois o ápice de tal prato foi obtido pelo chef Rafá.

Nossos amigos Rafael e Anne, ele cozinheiro, ela jornalista e âncora de programa radiofônico matutino de duas horas e meia: música, notícias e atualidades, foram uns amores conosco. Recepção muitas estrelas.

Mas, falando da cidade de Bordeaux neste início de outono, com tempo bom, pode-se dizer que é o bicho, cara. Muita história, muita arquitetura (quase todas as construçòes são baixas e feitas de pedras bordalesas beges) e muita juventude curtindo o sol durante o dia e os bares durante a noite. Uma cidade tipicamente francesa, capital da produção de vinhos, dos mais famosos do mundo.

Para quem gosta de passear e caminhar é um lugar ideal. Seu tamanho (aproximadamente 280 mil habitantes) ainda permite um ambiente relativamente calmo e chique, com um comércio variado.

Quem visitar Bordeaux não deve deixar de ir ao bairro de Saint Michel onde se pode encontrar todos os tipos de temperos e ingredientes de todo o mundo, com um comércio comandado por marroquinhos, africanos, chineses e “batrícios” em geral.

Ao sentar-se em um restaurante em Bordeaux não tenha medo de pedir um vinho da casa ou vinho nacional, com certeza não vai se decepcionar.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

SAINT EMILION

Chegamos a Bordeaux no dia 22 de setembro, em plena transição do verão para o outono na Europa; momento no qual os produtores de vinho da região estão decidindo o dia certo para dar início a colheita. Torcem por mais uns dias de Sol para aumentar o teor de açúcar das uvas. Temem por uma súbita queda de temperatura e uma eventual geada, que lhes imporia grandes perdas. Como bons agricultores reclamam de quase tudo, principalmente do clima, dizem que até aqui o tempo não tem ajudado muito. O fato é que ôntem e hoje, os dias estão ensolarados e sem nenhuma nuvem no céu. Oxalá Baco os protejam!

Estamos visitando nossos amigos Rafa e Anne que vivem nestas bandas. Ele nos levou a conhecer Saint Emilion, a cerca de 40 km de Bordeaux. No caminho, ao longo da estrada, vinhedos carregados de cachos de uvas maduras se espalham por todos os cantos, até quase dentro das casas, das ruas e dos edifícios antigos. Fileiras de parreiras penetram os campos. Os cachos, mais pesados que as folhas, ficam pendurados na parte de baixo e por pouco não chegam até o chão. Uvas, uvas e mais uvas, recebem os raios de Sol e sintetizam mais e mais açúcar, para se prepararem para produzir vinhos e mais vinhos.

Saint Emilion é uma cidade medieval que mora sobre uma pequena colina; cheia de vida respira sua história, cheia de caves exibe seus produtos e convida o visitante a sentar-se e provar seus vinhos e queijos. Alguns restaurantes oferecem nos cardápios pratos a base de pato, ovelha, peru, além dos mais variados peixes e frutos do mar. Uma cidade francesa com certeza.

Diz a lenda, que lá viveu refugiado, os últimos anos de sua vida, no século XII, um monge beneditino que se tornou ermitão e passou a habitar uma das inúmeras cavidades naturais que havia na região.
Há também uma pedra em que o santo utilizava para sentar-se, a qual se atribui poderes milagrosos para aumento da fertilidade. Sabe como é né? Na dúvida ...

Embaixo de um grande campanário há uma igreja escavada em um bloco de pedra, denominada igreja monolítica e possui diversas galerias que no passado abrigaram um cemitério ao modo das catacumbas.

O ambiente natural da região é composto de rochas cálcareas, bastante porosas, que servem para construção civil, e revestem grande parte das casas e edificios de Bordeaux: as chamadas pedras bordalesas que dão um toque característico a cidade.

segunda-feira, 7 de agosto de 2006

Nas Asas da VARIG - O Retorno

“Da janela vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo!” Ei galera, estamos de volta, no pedaço novamente.
O retorno pela VARIG, nas atuais circunstâncias, teve suas emoções. Acompanhamos atentamente, pela Internet, o noticiário sobre as negociações para recuperação da empresa, os dramas vividos pelos empregados e pelos passageiros, entre os quais nós. Notícias desencontradas e falta de informação causaram suspense. Telefonamos, enviamos e recebemos e-mails, tentamos alternativas em outras companhias (que obviamente começaram a aproveitar-se da situação, pedindo preços elevados). Alguns números de telefone não atendiam, outros deixaram-nos a ouvir gravações com mensagens de espera. Porém a Varig-logo nos reservava uma agradável surpresa. Soubemos que todas as operações na Europa teriam como base o escritório situado em Frankfurt. Por uma dessas felizes coincidências estávamos em Koblenz, cidade alemã localizada na confluência dos rios Mosele e Reno, que dista cerca de 100 km. de Frankfurt. Resolvemos então, ir lá para checar à situação de perto, pois a estávamos conhecendo apenas por notícias e fofocas. Ficamos satisfeitos com o que vimos. A empresa está em situação difícil, mas lidando com os problemas de maneira profissional. Estão colocando vôos extras e se encarregando da hospedagem dos passageiros que não conseguem lugar. Enfim, organizaram a nossa volta comprando para nós o trecho Paris-Frankfurt pela Lufthansa e reservando assentos no vôo da Varig Frankfurt-Rio de Janeiro. Tudo dentro dos conformes. Nenhuma mala foi extraviada mesmo com duas conexões. Incrível, principalmente se levarmos em conta a zona em que se transformaram os aeroportos de toda à parte, sendo que o de Paris concorre a prêmio no quesito zorra total.
Na volta o piloto da VARIG resolveu oferecer um regalo aos passageiros, programou a rota de modo a dar um sobrevôo sobre Paris. Era meia-noite e vinte minutos, a noite estava limpa e pudemos contemplar a cidade luz mais uma vez, agora de cima: observar a torre Eifel iluminada, a Ilha da Cité e o traçado iluminado de seus Boulevards e dizer Au Revoir Paris.

segunda-feira, 17 de julho de 2006

Nas asas da VARIG

A Varig já foi grande no nosso imaginário, dizíamos que ela tinha o melhor serviço de bordo do mundo, em um tempo romântico, quando viagens de avião não eram coisas corriqueiras. As famílias iam se despedir daqueles que tinham a coragem de viajar de avião ou então recebe-los com festa, quando voltavam de longas estadias fora de casa. Subir as escadas que levavam ao aparelho, parar em seu cimo, voltar-se para um adeus de lenço branco na mão, fazia parte do ritual das personalidades fotografadas para as revistas. Era um acontecimento que herdara as emoções das viagens de navios a vapor que levavam as famílias aos portos para grandes despedidas. Quantas lágrimas, juras de cartas nem sempre cumpridas.
A cada nova rota inaugurada pela Varig eram criados jingles e filmetes para a televisão, todos uma atração, que terminavam invariavelmente com o famoso Varig, Varig, Varig…
Num dos de maior sucesso, na cadência do fado se cantarolava: “Seu Cabral vinha navegando, quando alguém logo foi gritando: terra à vista. Foi descoberto o Brasil. E a turma toda falava, bem-vindo seu Cabral. Mas, Cabral sentiu no peito, uma saudade sem jeito. Vou voltar para Portugal, quero ir pela Varig. Varig, Varig, Varig…”
Porém os tempos são outros e quando se possui um bilhete de volta para casa de uma companhia aérea que passa por um processo de “recuperação judicial”, a gente, naturalmente, passa a prestar mais atenção ao noticiário sobre esta empresa. Quais os próximos vôos que serão cancelados? Os resultados das assembléias de trabalhadores e se vai haver leilão, ou não. Se haverá combustível para a próxima semana; enfim, coisas do gênero.
Na avenida Champs Elisée, 38, primeiro andar, fica a sede da Varig em Paris. Noutros tempos os refugiados políticos, ansiosos por notícias do Brasil, acorriam à sede da Varig para ler jornais e revistas amanhecidos. Na época, ainda não havia Internet e as ligações telefônicas poderiam estar censuradas. Hoje, não há mais jornais brasileiros para ler, porque os vôos que fazem a linha Rio-Paris foram cancelados até o dia 18 de julho. O ambiente na sala é de uma calma silenciosa. Poucas pessoas aguardando e apenas duas zelosas funcionárias realizando o atendimento e explicando que por enquanto nenhum passageiro deixou de viajar para o Brasil. Tão simples quanto o seguinte: - É bom o Sr. chegar mais ou menos ao meio dia (o horário do vôo previsto para as 22:30h.) porque os passageiros de Paris, estão sendo transferidos para Frankfurt ou Londres e dependem de lugares nos vôos da Lufthansa para a Alemanha e de uma outra empresa regional para a Inglaterra e também de lugares nos vôos para o Brasil. “Eles” ainda não cancelaram os horários após o dia 18, então tudo pode acontecer. Nós estamos com poucas informações e elas mudam a todo momento é bom ligar para o call center, mas lembre-se que depois da 18h. não atendem mais. Mas não é, que estou com uma saudade enorme da Varig,Varig, Varig…

quarta-feira, 12 de julho de 2006

Grande Zizou


O monumental estádio olímpico, construído pelo III Reich em 1934/36, esperava colorir-se de vermelho, amarelo e preto junto com o verde e amarelo. Alemanha e Brasil : a final dos sonhos dos cartolas da FIFA. Tudo arranjado para o encontro futebolístico do século XXI, com os dois melhores times do mundo. Porém, de repente, pintou a possibilidade do jogo final ser entre a Alemanha e a Inglaterra, ou ainda pior: entre a Alemanha e a França, com direito a Marselhesa e tudo mais. Ia ser meio esquisito, poderia sugerir lembranças inconvenientes.
A sabedoria e o capricho dos deuses da bola quis que o Olimpianstadium se vestisse todo de azul, não aquele da América do Sul, mas o da Azurra contra os Les Bleus. Pode um time com Buffon e Grosso e outro com Barthez e Zizou? Pode. Que ganhe o melhor, ou que se dane (será que eu ouvi Zidane?).
Em Paris, a Avenue Champs Elisée acolhia uma imensidão de gente, muitos com os rostos pintados com azul, branco e vermelho. Havia outros jovens enrolados em bandeiras da Argélia. Poucos italianos com vontade de mostrar a cara. Muitos policiais. A festa toda preparada para a comemoração da vitória da França. Haveria uma festa de gala para a despedida da melhor geração de jogadores que a França já produziu. Como convem, o “chichi”, como é chamado o Jacques Chirac estava no estádio ao lado de madame Merkel, a chanceler alemã. Tudo preparado para o sucesso de mais um impecável evento promovido pela FIFA.
Zinedine Zidane, o craque da copa, o melhor jogador francês de todos os tempos, já estava de saco cheio. Era o segundo tempo da prorrogação do jogo decisivo, em que ele tinha feito um gol de penalty fajuto (de “arbitragem generosa”, como dizem os franceses, ou cavados, como dizemos nós). Afinal ele já tinha ganhado do Brasil, dando um show, com direito a chapéu encima do Ronaldo fenômeno e em não sei mais em quem. O jogo com a Itália estava duro de assistir, quanto mais de jogar, e pelo jeito a copa ia ser decidida novamente nos penalties, um saco. Aí vem aquele cara falar mal da irmã. Não deu outra, como em toda sua vida, ele nunca foi cara de deixar barato, ele partiu pra cima. A idéia era arrebentar o nariz do sem-vergonha que faltou ao respeito, fazer sangrar, mas o cara deu sorte e fez a cena. O babaca não encarou, preferiu se jogar no chão e chamar o juiz.
Na televisão francesa, o Galvão Bueno daqui dizia: Não Zizou, hoje não Zizou, é o dia da sua despedida, você ainda pode ser campeão, hoje não Zizou, daqui a pouco vai ter a cobrança de penalties. Hoje não Zizou…
E sem ele a França perdeu. No dia seguinte, o l’Equipe, o jornal de esportes da França, que havia nos dias anteriores faturado encima dele, não estampava mais sua foto em primeira página e em seu editorial já o chamava de Geni. Como na ópera do malandro: “joga bosta na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é feita pra cuspir”. Como alguém, que tinha recebido tanto carinho da torcida, podia agir daquela maneira? Que mau exemplo para as crianças do mundo inteiro, que estavam assistindo àquele jogo. Como explicar para seus 4 filhos, tal atitude? Que traição aos companheiros em momento tão importante (sic).
Com quais companheiros alinhar Zidane? Com Puskas? Didi? Garrincha? Pelé? Euzébio? Gérson? Beckenbauer? Maradona? Ronaldo????? Com Quem?

domingo, 2 de julho de 2006

Paris futebol visto daqui

O som das buzinas, tão familiar nos dias das grandes vitórias: os carros passando com bandeiras, uma verdadeira procissão de jovens, os gritos, fizeram-nos pensar que o resultado do jogo não era o que nós havíamos acompanhado pela televisão. Afinal quem havia ganhado?
Nós tínhamos assistido a uma exibição de Zidane e o nosso time em dia de pelada, chutando a bola para qualquer lado, pior que na copa de 1998. Porque tanto barulho se o Brasil tinha perdido?
Pois aí caiu a ficha, nós estamos aqui na terra deles.
Parece que os franceses já ganharam a copa. Na verdade, para eles é como reconhecer a firma da vitória que tiverem sobre nós, na copa da França. Agora, em campo neutro, essa geração de “velhos” mostrou que podia ganhar do Brasil. Foi como uma lavagem de alma para eles. Sentíamos durante os momentos que antecediam o jogo que eles tinham certeza que venceriam o Brasil, que precisavam ganhar do Brasil, mostrar que a outra vitória, a de 98, não tinha sido um acidente arranjado. Era a confirmação de que eles haviam sido campeões do mundo. O povo foi às ruas celebrar o feito, eles ganharam dos galáticos, dos atuais campeões do mundo, de uma equipe que parecia invencível.
Eles não perdem por esperar, o que eles não se deram conta é que um outro brasileiro segue ainda campeão: seu nome é Felipão, o cara ainda está invicto, como técnico, em copas do mundo. À tarde, em uma partida dramática os portugueses passaram por cima do “English team” e também foram para as semi-finais. Vamos a ver, ó pá! A vingança vem a cavalo, e é dos pampas, tchê.
Não desejamos comentar a mediocridade do nosso time.
Mas uma coisa é certa, os franceses não vão ter a mesma moleza contra o time do Felipão. Eles têm time para vencer, mas parece que o principal objetivo deles já foi atingido, porque o barulho que fazem é infernal. Não sei se vamos conseguir dormir.

domingo, 25 de junho de 2006

Paris copa do mundo

Em época de copa do mundo, como em todo lugar, a seleção nacional de futebol mobiliza a paixão dos torcedores. “Allez les bleus”, o grito de guerra dos torcedores franceses, era o que se ouvia depois da “brilhante” vitória sobre a seleção de Togo. Eles também acham que vão ser campeões. Fomos assistir a partida em um café perto de casa, afinal não poderíamos deixar passar esta oportunidade de vê-los sofrer, precisavam ganhar para não serem eliminados. E como sofreram, o fanatismo contido dos seus torcedores faz com que batam palmas diante da televisão quando ocorre alguma jogada de suspense. Mas após vencerem já pensam em enfrentar o Brasil. Os franceses, como todos os torcedores, ficam chiando o tempo todo, e a comparação com a nossa seleção é inevitavel, ocorre a todo momento, tanto na telinha quanto nas observações da platéia. Se eles forem em frente, acho que o clima futebolístico na cidade deve esquentar um pouco mais. Até o momento, a presença da copa está nos jornais, nos bares e nas publicidades, onde a figuras centrais são: o Ronaldinho gaúcho e Zidane herói nacional para eles e de triste lembrança para nós. O pessoal daqui gostaria de ter o Ronaldo fenômeno, mesmo gordo, em sua equipe; o cara é recordista de gols mas a nossa turma ainda acha que ele é grosso. Enfim, coisas da paixão pelo futebol. E os argentinos hein? Precisaram de um gol contra e de um gol espírita para vencer os mexicanos. Não boto muita fé neles, embora eu espere que eles estejam guardando tudo para o jogo contra a Alemanha que está com a bola toda. Por aqui é comum ver o pessoal com a camisa verde e amarela, mas estão esperando mais da nossa seleção, querem show e muitos gols, como nós aliás. Se não golear é porque a equipe jogou mal e não houve empenho da turma. É impressionante como o conhecimento do Brasil no exterior se restringe ao futebol, o que é uma perda para eles. Afinal o futebol é apenas um detalhe, mas que detalhe! Dizem até que é no labirinto dos detalhes que moram os sonhos dos humanos habitados por anjos e demônios e que ao dormir eles se movimentam e ao acordar eles se escondem.

Paris Giverny e Marmotan


Nestes dias em Paris estamos morando num apartamento conjugado, que os franceses chamam de ‘studio’, que se situa no 32 bis, Avenue René Coty, no 14eme arrondissent, próximo a cidade universitária, para chegarmos nela basta atrevassar o Parc Montsouris. Salvo o perfume deixado no hall de entrada por dois cachorros do vizinho de baixo, que mais parecem bezerros, o apartamento é agradável, tem uma varanda, e podemos até ensaiar pratos da culinária francesa, e também lógico beber vinhos locais que compramos no supermercado perto daqui. O bairro é fora do centro o que permite um dia a dia comum.
Às vezes, de vez em sempre, saímos para diversos programas. Um dia desses, pela manhã, pegamos o ônibus 28, que passa perto, na Av. Gen. Leclerc, e fomos até a Gare de Saint Lazare, donde tomamos um trem para a cidade de Vernon e de lá um ônibus para Giverny, pequena vila de cerca de 600 habitantes, tudo para conhecer a casa de Claude Monet e seu famoso jardim. O pintor comprou a casa quando já tinha 50 anos de idade e após três anos adquiriu um grande terreno ao lado para completar seu quintal e instalar seu jardim das águas, pelo visto, uma de suas paixões. Ao contrário da época em que vivia, ele decidiu construir um jardim onde as flores se misturam: lilases, rosas de diferentes tipos e cores, amor-perfeito, tulipas, flores do campo e muitas outras mais. Monet quis construir o seu jardim japonês, com um pequeno riacho e ponte, aonde se forma um espelho d’água, cheio de plantas, entre as quais algumas que se parecem com pequenas vitórias-régias. Neste ambiente, ele pintou grande parte de sua vastíssima obra. Hoje há uma fundação que procura manter este jardim, o máximo possível, conforme o seu autor idealizou e realizou. É como se estivéssemos a sonhar, mirando o jardim, e de repente, sentíssemo-nos a passear pelos quadros pintados por Monet. É como viajar em um museu vivo. Lá se encontram pessoas que pela fotografia, pelo desenho e até pela pintura, parecem querer continuar o trabalho do grande artista. Mas a emoção não foi deixada lá; no dia seguinte fomos ao Museu Marmotan que reúne muitas de suas obras pintadas em Giverny. É demais, o cara entre 50 e 85 anos de idade produziu beleza plástica atrás de beleza com os diversos olhares que dirigiu ao seu jardim. Este museu em Paris, relativamente pouco visitado, recebeu, por doação de seu filho Michel Monet, suas obras e sua coleção particular. O Museu Marmotan se origina de uma família de abastados colecionadores e abriga também o quadro de Monet: “Impression soleil levant” que deu origem ao movimento impressionista a ao termo “impressionismo”, após a crítica irônica da mídia especializada à época em que foi pintado. Pode-se, neste museu, com toda tranqüilidade, ficar a contemplar suas obras e viajar por suas cores e formas.

Europa Euro

A vida dos que viajam pelos países da Europa ficou muito facilitada com a criação de uma moeda comum: o euro. Não há mais aquela coisa de escudos, pesetas, marcos, francos, liras, e várias outras moedas. Anteriormente, os viajantes precisavam fazer um monte de contas para calcular suas despesas, tinham que converter os preços para o dólar americano para ter uma idéia de quanto estavam gastando, sem se falar do levantamento que tinham que fazer das cotações do dólar na moeda local que variava de esquina para esquina. A sensação era a de que sempre estavam sendo enganados. Porém, embora o euro já tenha quase seis anos, as contas e notas fiscais aparecem com dois valores: um em euro e outro na moeda local, calculada a conversão com base ao valor da data de adoção do euro (2000). Parece esquisito mas ainda hoje as pessoas fazem as contas como se a moeda anterior existisse e a opinião de grande parte delas é que tudo passou a ficar muito mais caro após a criação de uma moeda comum. Mesmo que a tendência das pessoas seja a de lembrar mais dos preços do que dos seus rendimentos na moeda antiga, seus comentários indicam que alguma razão eles devem ter, principalmente naqueles países que tinham preços relativamente mais baixos, como Portugal e Espanha. Na França também as pessoas chiam. Quando alinharam os preços pelos países de moeda mais forte, a conseqüência foi, em alguns países, de os preços de fato subirem; nestes as rendas também eram e são mais baixas; assim, a turma logo percebeu que a vida não ia ser fácil com a nova moeda, mesmo com todos os investimentos que foram realizados. Ao se viajar atualmente, observa-se pouca diferença de preços entre os países, a exceção da Alemanha, aonde os preços de alimentação são bem mais baixos do que em Portugal, França ou Espanha. Hoje, o euro é uma moeda mais forte que o dólar e não se nota mais aquela dominância das verdinhas.

terça-feira, 13 de junho de 2006

Paris Turista Sofre


Como turista sofre! Fala-se que Paris e arredores somam hoje aproximadamente dez milhões de habitantes. Os guias turísticos informam que cerca de setenta milhões de pessoas passam pela cidade durante o ano, donde se conclui que na alta estação há dias que a cidade dobra seu contingente humano.
Como turista sofre! Se um visitante recém chegado à cidade resolver subir a torre Eiffel, pode-se preparar para encarar uma fila de uma hora para pegar o plano inclinado para subir ao segundo nível da torre e lá mais uns cinqüenta minutos para ir de elevador até o topo. Lá de cima, com dia claro, tem-se uma visão completa de toda Paris, claro, acompanhados das torcidas de vários países, que entre suspiros e fotos expressam todas suas emoções.
Ah! Como é agradável sentar-se num café e apreciar o movimento! Ir ao Marais ou ao Quartier Latin, espaço contado em prosa e versos, freqüentado por Sartre, Simone de Beauvoir e tantos intelectuais e artistas. Apenas um detalhe! Haja bares e cafés, com seus toldos vermelhos, cadeiras de palhinha, mesinhas redondas com tampo de mármore, para receber as pessoas que tiveram a mesma idéia. Por que não ir então ao Museu de Orangerie para ver as obras de pintores impressionistas? Que surpresa, outra filinha de uma hora de espera ao ar livre.
A impressão que se tem é que Paris está ultrapassando seus limites e capacidades. Em toda cidade o estacionamento de automóveis nas ruas é pago, já há muitos anos, e como os prédios não possuem garagens e não permitem o estacionamento encima das calçadas como em certas cidades mais descontraídas, observa-se um paradoxo: como os carros estacionam se jamais encontram vagas para estacionar?
A cidade possui uma invejável rede de Metrô articulada a um eficiente sistema de linhas de ônibus, mas não é fácil encontrar lugares para sentar e durante o dia, como o congestionamento permanente, leva-se horas dentro de ônibus em geral lotados. Parece que a cidade está chegando perto do seu limite.
Cresce o número de novos edifícios comerciais altos e os edifícios residenciais novos, embora respeitem o gabarito de seis ou sete andares, dão um jeito de por mais um ou dois andares mediante a redução do pé direito, coisa de arquiteto contemporâneo.
Conclusão: avisem todo mundo que não é mais para visitar Paris. Ta?

Paris Atual


A que um dia já foi chamada de cidade luz, considerada um dos centros do mundo, não sabemos se ainda é. De alguma maneira encarna as contradições dos dias atuais. Os franceses disseram não, pelo voto, à ratificação da constituição européia e disseram não, através de grandes confusões e manifestações de rua, à chamada lei do primeiro emprego, ambos por considerarem uma ameaça ao seu modo de vida. Num certo sentido o que está em questão para eles é o ‘european way of life’ com sua ênfase na proteção social e o ‘american way of life’ baseado na competição e na chamada economia de mercado. Haverá eleições gerais no ano próximo e os partidos políticos estão concentrados no debate das questões do emprego, do futuro dos jovens, no custeio da previdência social e também na questão da segurança pública. Ainda continua a ocorrer nas periferias alguns embates entre jovens, às vezes encapuzados, com as autoridades, em verdadeiras batalhas campais, enquanto os políticos discutem leis mais liberalizantes ou redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais e aumento do salário mínimo. O centro das questões ideológicas não está mais entre socialização dos meios de produção e a livre iniciativa, mas no emprego e na disputa direta pelo resultado da produção e pela maior ou menor exploração da força do trabalho humano.
Paris é hoje uma cidade além de cosmopolita também mestiça, observa-se a convivência multirracial e a miscigenação em todos os cantos. A população de negros e mulatos é grande e por vezes pensamos que estamos no Rio de Janeiro. Ao contrário de outras cidades européias há uma aparente convivência civilizada entre as populações de diversas origens étnicas, religiosas e raciais. Parece-nos, à primeira vista, uma sociedade em busca de uma nova identidade, agitada e estressada o tempo todo, com Metrô e ônibus cheios, as pessoas correndo de um lado para outro, com aquela agitação das grandes metrópoles. Há também inúmeros visitantes presentes na cidade  em busca de seu glamour e de sua intensa atividade artística e cultural.
Sem dúvida continua a ser uma cidade cheia de vida, porém seu aspecto denuncia, não sei bem dizer, se um ar de dificuldades ou de decadência. A labuta pela manutenção de uma das mais incríveis cidades já construídas pela humanidade contrasta com um certo pessimismo dos franceses que sentem as conseqüências da diminuição do papel que sua sociedade e cultura já tiveram no mundo. Todos criticam que a adoção do euro tornou o custo de vida muito alto e o sentimento de nostalgia, expressa uma sensação de perda, de um tempo que as coisas eram melhores. Será?

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Annency


Uma das coisas boas da vida é pegar uma estrada e seguir por ela, vendo a variedade de paisagens que vão aparecendo diante dos nossos olhos. No caminho de Arles para Annecy, nessa época do ano, vê-se muitas árvores sem folhas, mas muito floridas. Santa ignorância! Serão cerejeiras, com aquelas tonalidades róseas que vemos em cartões postais do Japão?  Serão macieiras, aquelas com flores brancas nos galhos, ou talvez ameixeiras? Quais os nomes delas?… A paisagem é de um campo bem cuidado e colorido, levemente ondulado, sempre com pequenas propriedades rurais, com suas casas e canteiros. A viagem se torna um passeio. Indo-se pelas estradas secundárias, vai-se passando por dentro de pequenas vilas e aldeias, onde o ambiente transmite a paz dos interiores. Foram 367 km neste ambiente, mais ou menos umas seis horas, com algumas paradas, é claro.
Annecy fica à beira de um lago no pé dos Alpes, com água límpida refletindo montanhas nevadas; tem uma parte antiga, cortada por riachos, com ruas estreitas de pedestres, o que sugere o apelido apropriado de Pequena Veneza. É agradável passear pela beira do lago, observar os patos e cisnes nadando e o pessoal dos esportes náuticos aproveitando do tempo ensolarado. Ao longo das margens do lago, há muitas casas grandes que parecem ter sido feitas pra gente abonada passar férias.
Na parte histórica, viaja-se pelo tempo ao caminhar por ruelas, de casas assobradadas e antigas, da época em que ainda não se sonhava com o automóvel. De quando em quando, chega-se a alguma praça repleta de gente a conversar e bebericar nos bares que espalham mesas e cadeiras pelas calçadas. Não dá para resistir, é sentar, também pedir alguma coisa e deixar-se ficar… Tudo muito zen.  Mas, ainda na parte histórica, à beira dos riachos que cortam a cidade, é que estão os lugares mais bonitos com suas pequenas pontes enfeitadas por vasos de flores; o que dá um toque de classe à pequena Annecy. Há algumas cidades que parecem ter sido feitas para se passear, Annecy é uma delas.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Arles


Quando se chega ao Sul da França, mais precisamente à região da Camargue, a paisagem já começa a sugerir que coisas diferentes vêm pela frente. E não dá outra coisa. A nossa motivação para fazer uma parada na cidade de Arles era a de fazer um curso de culinária, que uma colega tinha dado a dica. Na verdade era mais do que isso, era a de se hospedar numa pousada de um casal: ele francês nascido na região e ela americana de perto de Nova Iorque. O curso consistia em uma preparação em conjunto de um jantar completo. Desde sair de manhã às compras dos ingredientes e temperos na conhecida feira de Arles, até à tarde, a partir de cinco horas, reunir o grupo (um casal de americanos, nós e mais o casal anfitrião dono da pousada) na cozinha para prepararmos a refeição da noite. Começamos a nossa “festa de Babette” particular. O menu planejado pelo professor consistia de uma entrada de aspargos verdes, Asperges au Sauce Maltaise, cozidos em feixes amarrados com barbante, regados com um molho de maionese feito com mostarda e suco de laranja vermelha. Um primeiro prato que era uma espécie de torta de berinjela, Papeton d’Aubergine, regada com um molho de tomate com alcaparras e suco de limão siciliano ralado com alho. Um segundo prato: camarões grelhados em espetos, entremeados de meias-rodelas de tangerina, temperados com suco de limão. O prato principal eram lulas, Les Tautènes Farcis à la Sauce Tomate, recheadas com tomate, peixe (tamboril) e uma pasta de salsinha com arroz. Uma vez cobertas por molho de tomate foram ao forno. Tudo com muitas herbes de provence. A sobremesa foi uma torta Mille Feuille/Napoleon recheada de creme e pedaços de morango e com respingos de chocolate na cobertura. Ia me esquecendo, antes do jantar, distraidamente, um aperitivo: vinho de Cassis, acompanhado de ostras frescas. Os detalhes todos da preparação dos pratos eram explicados pelo chef e feitos por nós, desde a limpeza de todos os ingredientes, seus cortes e misturas. Foram três horas de preparação que passaram num tris. O jantar, regado à três tipos de vinho, foi como um sonho de uma noite de primavera.
Arles é uma cidade que vem desde a época romana, não é murada, o que lhe garante uma vida normal, não é uma cidade museu, é cheia de vida, suas ruas são estreitas e mesmo assim os carros circulam por elas, como era de se esperar, às vezes o trânsito para e nem por isso as pessoas buzinam, parece que elas já aceitam normalmente, que esperar é preciso. Uma curiosidade da cidade é que nela ainda há corrida de touros, realizada justamente na arena romana que hoje tem arquibancadas “discretamente acrescentadas” para abrigar mais público ainda. Óbvio que touradas marcadas para a semana-santa não deixariam de ser recebidas também com protestos de ONGs de defesa dos animais. Foi em Arles que Van Gogh passou dois anos de sua vida, onde esteve internado por loucura, cortou sua orelha e onde pintou alguns de seus quadros mais conhecidos. A cidade até hoje reverencia o pintor. Andar pelas ruelas de Arles é como passear pelo tempo, uma cidade cheia de história que preserva suas casas e construções antigas. O passado da presença romana é o ar que se respira o tempo todo, num ambiente francês interiorano típico que procura valorizar o que lhe é próprio e receber bem a todos que lá chegam.