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sábado, 11 de maio de 2013

PELA PENÍNSULA IBÉRICA


Aqui vamos seguindo pelas estradas, entrando nas cidades, nos acomodando pelos hotéis, pegando os mapas, escolhendo percursos, caminhando pelas vielas, praças, ruas e avenidas, por subidas e decidas, às vezes escadas, conhecendo igrejas, palácios, mosteiros, castelos e lojas, lojinhas e lojonas. Assim vamos,tal como cavaleiro andante, sem cavalos andaluzes, apenas com nossos pés.

No Algarve apreciamos muito as estradas impecáveis, as casas recém pintadas todas de branco, tudo muito limpo e um povo adoravelmente bem educado e cordial. Já não falamos o mesmo destes espanhóis, em grande parte, carrancudos e as vezes grosseiros e mal educados. Claro que há exceções e muitas. Nada de estereótipos, mas que perdem de dez a zero dos portugueses não há dúvidas, hehehehehe. 

Destaque para a primavera, a estação das flores, com suas cores e formatos e também para os aromas que sentimos pelas ruas e jardins. Há praças com laranjeiras plantadas, todas floridas e com algumas frutas maduras. O perfume é tão gostoso que a gente se pergunta porque não se plantam estas árvores em todas as ruas e praças do mundo. Os pássaros agradeceriam e os japoneses ririam de nós embaixo de suas cerejeiras. 

Registro: é muito bom passear pelos jardins da Alhambra em Granada.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

CARALHOTAS E OVOS MOLES

Os portugueses são inigualáveis na arte de dar nomes às coisas. Pera Manca, Porca de Murça, Periquita, Cabeça de Burro, Cova da Beira são alguns nomes de vinhos conhecidos. Barriguinha de freira, Toicinho do céu, Papo de anjo, nomes de alguns docinhos bestiais.


Através do senso de humor lusitano, dos fados que choram a aventura de uma nação de navegadores, da saudade dos que foram e dos que ficaram, e de sua culinária, pode-se começar a entender a alma nostálgica portuguesa.



Rir-se e chorar-se.

A noite Lisboeta é uma festa permanente o que faz de Portugal, hoje, ponto de atração de gente de todos os cantos.

Mas, vocês já ouviram falar que algumas jovens gaúchas quando, em estando no Rio de Janeiro, vão à padaria e pedem um cassetinho e fazem o pessoal morrer de rir. Pois é, imaginem então umas raparigas de Almeirim irem ao Rio, entrarem numa panificadora e pedirem umas caralhotas...

Não se preocupem porque os ovos moles são apenas os de Aveiro. Em outros cantos, os miolos que são moles.

sexta-feira, 28 de setembro de 2007

Açores e Madeira


As posições geográficas do arquipélago dos Açores e da Ilha da Madeira são consideradas estratégicas. Durante a segunda guerra mundial as ilhas foram utilizadas pelas tropas aliadas como importante base de apoio logístico. Tanto do ponto de vista militar como para transportes marítimos de longas distâncias, desde a época das grandes navegações, estas ilhas foram usadas como lugar para paradas de reabastecimento.
Recentemente (últimos dez a quinze anos), por serem territórios pertencentes à União Européia, receberam muitos investimentos, dirigidos principalmente a infra-estrutura turística. Assim, como em Portugal continental, nas ilhas lusitanas viaja-se por estradas amplas, novas e bem desenhadas e por estradas antigas, secundárias, mas com manutenção impecável. Nestes passeios pode-se observar por todo canto telhados novos a indicar um vasto crescimento do setor de construções de casas, apartamentos e também edifícios comerciais, resultado de anos seguidos de financiamento a juros baixos. Tudo muito arrumado.
Na Ilha da Madeira a paisagem é muito diferente da dos Açores. Enquanto na ilha de São Miguel as ondulações do solo são mais suaves, com lindos lagos nas crateras vulcânicas, na Madeira as estradas ladeiam enormes penhascos debruçados sobre o mar. Não há praias, apenas encontro do mar com paredões e pedras. A densidade de população é alta, fileiras de casas sobem os morros, bem ordenadas, de modo muito diferente do que é feito nas favelas cariocas. Não parece haver casas para ricos e casas para pobres por estas bandas, as diferenças são somente as usuais, de tamanho digamos. Pelo interior, impressiona ao visitante observar a construção nas encostas, de terraços para a atividade agrícola construídos com muros de arrimo em pedra. Cada pedacinho de terra está cultivado com legumes e verduras, banana e parreiras . Quanto trabalho realizado por várias gerações!
A Ilha da Madeira, ao contrário dos Açores cujo ambiente é de simplicidade e sossego, tem mais de quinze hotéis cinco estrelas e um grande Cassino, sendo bastante agitada e rica. A área atrai muitos turistas de todo o mundo, mas principalmente da Alemanha e Inglaterra.
Pois é pá. Foi desta parte que emigraram diversas pessoas para ajudar a formar cidades como Floripa e Portinho. As garbosas famílias açorianas. Gente do mar e da terra.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O Bonde 28E


Se queres ir aos Prazeres tens que tomar o elétrico 28E. O ponto final da linha, a paragem final, fica diante do Cemitério que leva o mesmo nome: Cemitério dos Prazeres. Contam que durante a noite, ao som de muito fado e rock and roll, rolam grandes festas de almas penadas. Só não se sabe se serão festas infernais ou celestiais. Ao dizer da Prefeitura Municipal de Lisboa o sítio é um lugar muito romântico. Quem vem a Lisboa não pode deixar de ir aos Prazeres, pois a viagem é muito gira.
Parecido com o bondinho de Santa Teresa no Rio de Janeiro, mas sem estribos, fechado e com amplas janelas, é famoso por seu percurso turístico. Embora sirva à população local, com esta misturam-se os visitantes e assim sendo, ouvem-se nele falar vários idiomas. A viagem começa no Rossio, na Baixa, sobe o morro em direção ao Chiado, e segue ao Bairro Alto por ruas tipicamente lisboetas com sua arquitetura de sobrados azulejados cheios de balcões com grades trabalhadas em ferro a enfeitá-los; passa-se pela Praça Luís de Camões, pelo Palácio de São Bento, onde fica a Assembléia Nacional e logo a seguir por um amplo jardim que tem defronte a Basílica da Estrela. Só ao final do percurso, como na vida, chega-se ao cemitério.
Se queres os prazeres da mesa então venha a Portugal. Ai Jesus! Como se come nesta terra! Aliás, se come e se bebe, pois todos aqui parecem mestres na arte da gastronomia e da enologia. Já comeste coelho assado com açorda, acompanhado por um bom vinho? Então coma e beba.
Por falar em pratos, a moda atual por aqui é: patriscas de bacalhau com risoto de gambas (camarões). As patriscas são feitas de uma massa parecida com a do bolinho de bacalhau, mas apresentadas em formato diferente, como as de um pequeno disco.
E os doces então, nem me fales….

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

De volta a Lisboa


A partir de sexta-feira próxima, dia 14 de setembro, retornamos às nossas crônicas de viagem.
O roteiro prevê: Lisboa, Açores, Ilha da Madeira, Londres, Belfast, Dublin e Pais de Gales.
Ao fazermos as malas colocamos junto um punhado de expectativas, de boas intenções, de vontade de conhecer lugares históricos e gentes atuais, experimentar pratos, beber vinhos e na Irlanda darnos a oportunidade de testar algumas cervejas. Quem sabe ouvir um pouco de música, assistir algum concerto, olhar paisagens, enfim vagar, vagabundear pelas paragens e paisagens das ilhas e do continente.

De volta a Lisboa

A partir de sexta-feira próxima, dia 14 de setembro, retornamos às nossas crônicas de viagem.
O roteiro prevê: Lisboa, Açores, Ilha da Madeira, Londres, Belfast, Dublin e Pais de Gales.
Ao fazermos as malas colocamos junto um punhado de expectativas, de boas intenções, de vontade de conhecer lugares históricos e gentes atuais, experimentar pratos, beber vinhos e na Irlanda darnos a oportunidade de testar algumas cervejas. Quem sabe ouvir um pouco de música, assistir algum concerto, olhar paisagens, enfim vagar, vagabundear pelas paragens e paisagens das ilhas e do continente.

sábado, 23 de setembro de 2006

Açores


Pensei que não existisse mais, ou, talvez, não houvesse sequer existido, um lugar onde não se ouvisse um mendigo a pedir esmolas “pelo amor de Deus”. Nem cidades e campos sem a presença de policiais. Sem se escutar discussões ou bate-bocas nas vias públicas. Apenas um espaço ocupado por vivendas de diversos tamanhos, na maioria térreas, sendo exceção ter mais de um piso; casas construídas geminadas ou em terrenos quase sempre sem muros a separá-las. Estradas floridas e campo plantado.
Pois, percorremos durante três dias a ilha de São Miguel, nos Açores, passando por vilas e pequeninas cidades, atravessando um ambiente rural, onde domina a presença das vacas holandesas, em estradas todas elas parecidas com aquelas das serras gaúchas, Campos de Jordão ou Itatiaia, vendo hortênsias novas misturadas às murchas, lírios cor de rosa, flores amarelas em cachos; apreciando as misturas em azul, branco e ocre, tons sobre tons, todos os tons. Vimos plátanos com troncos de cor ferrugem formando alas à beira da estrada, assobradando o asfalto e colorindo as curvas e retas do nosso caminho. Um lugar onde o mar, a vida urbana, a vida rural e as belas paisagens convivem simplesmente.
Visitamos apenas a Ilha de São Miguel, mas o arquipélago dos Açores compõe-se de nove ilhas: São Miguel, Terceira, Santa Maria, Pico, São Jorge, Graciosa, Faial, Corvo e Flores. Seu nome se deve a um tipo de falcão que, segundo dizem os guias turísticos, os primeiros navegadores que aqui aportaram teriam visto. Falam que eram urubus as aves que eles avistaram ao se aproximarem da ilha de Santa Maria em 1427. Hoje em dia, há muitas gaivotas e fragatas sobrevoando e se alimentando de peixes e naturalmente curtindo a vista lá de cima. Há também algumas aves que se assemelham a gaviões, quem sabe não possam ser apelidados de Açores.
A capital da ilha de São Miguel é Porto Delgado. Uma cidade muito parecida com as nossas brasileiras, de arquitetura colonial portuguesa, que nos faz sentir em casa. Parece-se com Paraty, Itanhaém ou Diamantina há cinqüenta anos atrás. Singela mistura de história, simplicidade e acolhimento. Lá tivemos a chance de assistir a uma banda de fado liderada, por um emigrante açoriano que foi viver na Holanda. A Banda Quatro Ventos é composta também por músicos holandeses, que se apresentaram na casa de espetáculos local, o Teatro Micaelense. Fez arrepiar quando tocou o fado “Adeus Macau”, narrando a saída portuguesa da China. A música chora pelos Lusíadas, pela nação de navegadores e pelos inventores da saudade.

terça-feira, 4 de abril de 2006

Lisboa

Quanto charme, quanta paz, quanta singeleza. É Lisboa neste começo de primavera. Já faz calor e os dias começam a ficar mais longos. Reencontramos a cidade em um domingo à tarde, caminhamos da Praça dos Restauradores até a velha Sé. Claro, passamos pelo Rossio, a Praça Dom Pedro IV. A estátua do imperador está sobre um obelisco muito alto que não se dá para ver direito como ela é. Fiquei a perguntar-me qual terá sido a intenção do artista? Seria a de homenageá-lo elevando-o a tal altura, ou talvez escondê-lo lá encima. Sabe-se lá como o autor percebeu a figura histórica do nosso imperador Pedro I, fundador do Brasil independente e depois guerreiro que lutou pelo trono português, denominado aqui de Pedro IV. A saga emocionante deste homem, em um período extremamente conturbado da vida européia, como terá batido na alma do arquiteto deste monumento?Mas enfim, seguimos em frente em direção à Sé, fomos pela Rua Augusta e dobramos à esquerda na Rua da Conceição. Como era um domingo, já ao entardecer, parecia que todas as pessoas que estavam a caminhar, estavam como nós, a passear.Ao entrarmos na Sé, havia uma Missa solene, celebrada por um bispo, estava repleta e as pessoas cantavam como se fizessem parte de um grande coro. Eram músicas antigas que pediam que o Senhor tivesse piedade delas e talvez também de nós. Um ambiente único, pois uma catedral tão antiga parecia ainda estar em seus dias de glória. Esta catedral surpreende, vista de fora, projetada em linhas retas, sugere ser obra do mesmo autor do castelo de São Jorge, assemelhando-se a uma fortificação. Mas vista de dentro suas linhas são curvas e as naves tradicionais dominam o desenho interno, sentimo-nos dentro de uma catedral medieval.Mas fomos em frente,  à procura do Clube de Fado, que um amigo artista, de Porto Alegre, violonista, havia nos sugerido. Este clube (restaurante com fado ao vivo) fica situado à Rua São João da Praça, às portas do Bairro de Alfama. Grata indicação, pois o lugar é “gira”, com excelente comida, músicos e cantores de primeira. Lá, pratica-se o fado, quanta dor de cotovelo misturando amargura e ironia. Encontra-se a velha Lisboa a cultuar suas tradições. Portugal não é mais o mesmo, está a cada vez melhor.E o Chiado, pá? Vai acabar dando o título à cidade, de capital romântica. Seus bares e recantos atraem a garotada a viver a noite Lisboeta. O espírito boêmio de Pessoa está presente, permeando todo o ambiente. O Chiado está para Fernando Pessoa como Ipanema para Vinicius de Moraes. Como em diversas cidades do mundo, hoje em dia, em Lisboa ouvem-se muitas línguas: européias, africanas e também asiáticas, é uma cidade cosmopolita. Há várias exposições e vida cultural intensa. A diferença é que aqui se fala o português e encontram-se muitos brasileiros trabalhando nos bares, restaurantes, hotéis e serviços em geral.Lisboa velha cidade cheia de encanto e beleza sempre formosa a sorrir e a vestir sempre airosa ……