A relação da gente com as cidades assemelha-se um pouco a comunicação entre pessoas. Há aquelas que de imediato nos chamam a atenção e outras que passam por nós sem deixar qualquer lembrança.
Chegamos à capital da Sicilia, meio desconfiados, tendo na cabeça a melodia e as imagens do “Poderoso Chefão”, a memória dos descendentes de italianos “embrulhões” que conhecemos no Brasil, seus modos apaixonados, dedicados de amigos e companheiros.
Mas, em Palermo encontramos a Itália profunda numa cidade charmosa e atraente, com suas ruelas e becos, paredes envelhecidas e descuidadas, com varais de roupas coloridas penduradas para fora das janelas. O trânsito indisciplinado, os seus motoristas fazendo o que lhes passa pela mente, parando em fila dupla, estacionando em lugares incríveis e suas motonetas circulando por todos os lugares, inclusive feiras livres e calçadas. Uma cidade viva que fecha entre meio dia e quatro da tarde para fazer a sesta.
Toda a gente “parlando” italiano alto com muitos gestos e efeitos teatrais, enfáticos e cordialmente relaxados, às vezes meio brutos, mas educados ao seu modo.
E que comida! Como se “manja bene!” E que “vino!” E que “pane!” Tudo “molto bello”.
É uma cidade para se andar, andar, andar e curtir, admirar seus prédios e sua gente.
E se vier a Palermo não se esqueça de visitar a Catedral de Monreale, de uma beleza espetacular, que por si só já justificaria uma viagem a Sicília. A igreja se localiza numa cidadezinha medieval próxima e seu Domo é magnífico, com o interior todo trabalhado em mosaicos. Um primor de encher os olhos e alma!
domingo, 15 de maio de 2011
quarta-feira, 4 de maio de 2011
ADEUS CÓRSEGA
Nossa visita a Córsega durou seis dias. Foi pouco. Se fosse quatro semanas estaria mais bem calculada. A ilha é bela de norte a sul: as montanhas, a cor do mar, os contornos rochosos. Há inúmeros passeios que podem ser feitos de carro, de barco, de bicicleta ou a pé. Tem para todos os gostos. Esta época do ano, final de abril, é especial, com clima bom e não muita gente. Aliás, para se aproveitar a Córsega é fundamental que o tempo esteja bom, pois os passeios são ao ar livre e também porque suas estradas são estreitas e sinuosas, subindo e descendo seu relevo super acidentado. Não consigo me imaginar dirigindo por estas estradas com neblina ou muita chuva, ladeando abismos e precipícios.
O ponto alto da viagem é a cidade de Bonifácio construída sobre as falésias, debruçada sobre um mar de cor verde deslumbrante. A cidade é antiga, com ruelas charmosas cheia de bares e restaurantes, convite para caminhadas ao por do sol. Em seu porto um esquema bem organizado de passeios marítimos permite observar os “paredões de pedras róseas” que sustentam a cidade em seu cimo. Bonifácio é sem dúvida o objetivo número um de uma visita a região.
Outra programação importante são os diversos passeios marítimos pela ilha, as “Promenades en mer”, que também dependem do clima, não combinam com excesso de ventos e mar agitado. Estes deliciosos passeios permitem contemplar do mar as montanhas que mostram figuras gigantescas, grutas e cavernas, lembrando estórias de piratas e corsários (vale um trocadilho).
Os locais de referência principais para estes passeios são: Ajaccio que é a capital da Córsega e de onde saem diversos circuitos e Porto outro lugar para se iniciar excursões. Pode-se passar o dia inteiro percorrendo o litoral ou passeios curtos perto das cidades portuárias. Não é preciso ser dono de lanchas ou iates para curtir o Mar Mediterrâneo.
A estrada estreita que une Ajaccio a cidade do Porto é fantástica, com suas curvas fechadas, serpenteando os morros, permite ver de dentro os/as Calanches (morros de pedras de diversas cores, onde predomina o avermelhado, que brotam do mar). Há diversos pontos de parada que formam belvederes de onde se podem apreciar suas formas e cores.
Não fomos a Girolata-Scandola, no nordeste da ilha, as fotos prometiam lindas paisagens, mas demos a volta de carro no Cap Corse bem a norte. Foi uma boa chegada, mas perde por muito da outras regiões. Enfim: Adeus Córsega, levamos boas lembranças de suas belas paisagens e a cordialidade das pessoas.
O ponto alto da viagem é a cidade de Bonifácio construída sobre as falésias, debruçada sobre um mar de cor verde deslumbrante. A cidade é antiga, com ruelas charmosas cheia de bares e restaurantes, convite para caminhadas ao por do sol. Em seu porto um esquema bem organizado de passeios marítimos permite observar os “paredões de pedras róseas” que sustentam a cidade em seu cimo. Bonifácio é sem dúvida o objetivo número um de uma visita a região.
Outra programação importante são os diversos passeios marítimos pela ilha, as “Promenades en mer”, que também dependem do clima, não combinam com excesso de ventos e mar agitado. Estes deliciosos passeios permitem contemplar do mar as montanhas que mostram figuras gigantescas, grutas e cavernas, lembrando estórias de piratas e corsários (vale um trocadilho).
Os locais de referência principais para estes passeios são: Ajaccio que é a capital da Córsega e de onde saem diversos circuitos e Porto outro lugar para se iniciar excursões. Pode-se passar o dia inteiro percorrendo o litoral ou passeios curtos perto das cidades portuárias. Não é preciso ser dono de lanchas ou iates para curtir o Mar Mediterrâneo.
A estrada estreita que une Ajaccio a cidade do Porto é fantástica, com suas curvas fechadas, serpenteando os morros, permite ver de dentro os/as Calanches (morros de pedras de diversas cores, onde predomina o avermelhado, que brotam do mar). Há diversos pontos de parada que formam belvederes de onde se podem apreciar suas formas e cores.
Não fomos a Girolata-Scandola, no nordeste da ilha, as fotos prometiam lindas paisagens, mas demos a volta de carro no Cap Corse bem a norte. Foi uma boa chegada, mas perde por muito da outras regiões. Enfim: Adeus Córsega, levamos boas lembranças de suas belas paisagens e a cordialidade das pessoas.
sábado, 30 de abril de 2011
CIRCULANDO PELA CÓRSEGA
Chegamos dia 27 de abri, ao final da tarde, em Bastia considerada a capital da “Alta Córsega”. Após um sono regenerador, logo às oito da manhã pusemos o pé na estrada para contornar o Cap Corse que fica ao norte da ilha. Rodamos por estradas estreitas e mal conservadas, de quando em quando, apreciando os abismos que desenhavam os contornos do mar. Sol aberto e muita nebulosidade no horizonte. Parece que em dias transparentes pode-se avistar a Itália e longe o cume dos Alpes nevados. Sei não! Mas, as paisagens são ma-ra-vi-lho-sas, como dizem os gaúchos.
Um dos lemas da Córsega é: “Ilha da Beleza”, mas poderia também ser: “Ilha das marinas”. Em um trecho de mais ou menos duzentos quilômetros passamos por quatro marinas enormes, com muitos veleiros e lanchas de respeito. Pois é, parece que essa turma do Mediterrâneo gosta de navegar, faz muito tempo, não é?
Hoje, dia 30, estamos em Ajaccio, capital da Córsega e terra natal de Napoleão Bonaparte. É a maior cidade de ilha, e mostra pujança e animação.
Estamos em enorme expectativa, pois vamos fazer um passeio de barco que promete mostrar as maravilhas dessa costa de natureza exuberante! Vamos `sacar` muitas fotos.
Dizem que o idioma local é o Corso. Vemos nas placas o movimento nacionalista riscando as palavras em francês, mas por enquanto não deu para perceber o quanto é forte a cultura local. Não sabemos se eles têm tanta areia no caminhão para poder se separar da França ou se é apenas juntar forças para se fazer respeitar.
Um dos lemas da Córsega é: “Ilha da Beleza”, mas poderia também ser: “Ilha das marinas”. Em um trecho de mais ou menos duzentos quilômetros passamos por quatro marinas enormes, com muitos veleiros e lanchas de respeito. Pois é, parece que essa turma do Mediterrâneo gosta de navegar, faz muito tempo, não é?
Hoje, dia 30, estamos em Ajaccio, capital da Córsega e terra natal de Napoleão Bonaparte. É a maior cidade de ilha, e mostra pujança e animação.
Estamos em enorme expectativa, pois vamos fazer um passeio de barco que promete mostrar as maravilhas dessa costa de natureza exuberante! Vamos `sacar` muitas fotos.
Dizem que o idioma local é o Corso. Vemos nas placas o movimento nacionalista riscando as palavras em francês, mas por enquanto não deu para perceber o quanto é forte a cultura local. Não sabemos se eles têm tanta areia no caminhão para poder se separar da França ou se é apenas juntar forças para se fazer respeitar.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
VAMOS VIAJAR PARA BASTIA?
Quando sentei diante do computador para escrever estas mal digitadas linhas, ouvi uma pessoa gritando na rua: “olha aí o vassoreiro!”, “olha as vassouras”, “quer comprar vassoura?”. Logo me lembrei da minha infância na Rua Capote Valente, em São Paulo. Toda a semana passava por nossa rua um ceguinho acompanhado de um rapaz oferecendo vassouras de vários tipos. Ficou marcada na minha mente aquela cena, me impressionava a figura do cego que tinha a cabeça voltada para cima. Naquela época não me perguntava se afinal era ele que empregava o menino, ou ao contrário seria alguém que se valia dos dois. Enfim o que teria a ver o cego com a venda daqueles instrumentos tão comuns em todas as casas. Ora Zé, apenas um marketing que deu certo, diria provavelmente o seu Alfredo.
Mas, o assunto é outro. Vamos viajar para o Mediterrâneo.
Primeira parada do passeio será Bastia, nosso ponto de chegada à Córsega. Vamos dar um giro pela ilha que é também conhecida por ter sido berço de Napoleão Bonaparte (nasceu em Ajaccio, capital da Córsega). A ilha já pertenceu a Gênova e atualmente é um departamento da França. A língua local é o “corso” dialeto italiano e eles vivem as turras com os franceses. Talvez, além da natureza exuberante, possamos assistir alguma manifestação nacionalista, esperamos pacifica.
Depois vamos seguir para a Sardenha, Sicília, Calábria, Costa Amalfitana e Nápoles. Muita natureza, pastas, frutos do mar e um pouco de vinho. Sem deixar de curtir é claro o jeito italiano de ser.
Partimos dia 26 de abril, até lá! Contando estórias e sacando fotos...
sábado, 29 de janeiro de 2011
LA PIERRADE – FONDUE NA PEDRA
Em Gramado, levados por nosso anfitrião Vini, fomos apresentados ao Fondue na pedra em um restaurante chamado Chateau de La Fondue.
Agradável surpresa: trouxeram-nos uma bandeja de pedra sabão previamente aquecida e mantida quente com a ajuda de um réchaud à álcool. A seguir quatorze potinhos com diversos molhos salgados e doces: vinagrete, mostarda, raiz forte, cebola caramelada, farofinha, etc. Por último uma travessa repleta de bifinhos de filé mignon, frango e filé de porco. De dar água na boca.
Com a ajuda de espetinhos de fondue seguimos o ritual de assar as carnes na pedra, escolher um molho e degustar o tal de fondue na pedra. Que maravilha, Tchê!
Para mim novidade.
Claro que deve ser uma das formas mais antigas descobertas por nossos antepassados pré-históricos, mas acompanhado de um bom vinho deve ser um pouco mais recente.
Perguntamos ao garçon e ele nos disse que já a cerca de dez anos os restaurantes de Gramado servem estas delícias gastronômicas na pedra, também com outras receitas, com legumes, camarão, lagosta e frutos do mar. Enfim a turma cria e recria novidades culinárias.
Tempos atrás, quando em dias de inverno glacial, resolvia-se comer um fondue, sabia-se que junto seríamos defumados pela mistura dos cheiros das panelas de óleo com as fumaças dos cigarros. Saía-se cheirando até a alma. Alguns juravam beijando os dedos em cruz que durante pelo menos um ano se tornariam vegetarianos ortodoxos.
Pois é, o tal de fondue na pedra substitui com vantagem aquele feito nas panelas tradicionais.
Vive La Pierrade!
sábado, 6 de novembro de 2010
Dublin
A cidade parece estar em festa todos os dias. A Lapa daqui se chama Temple Bar, um mini-bairro de poucas ruas que tem um Pub encostado no outro. Quando os visitantes chegam pela primeira vez são informados que este espaço de prazer, que leva o nome de um de seus bares mais famosos, não fecha às onze, como em Londres, mas depois das duas da madrugada. Muita música combinando com muita cerveja, especialmente a Guiness, cuja imagem e referência aparece em todos os cantos da cidade. Assemelha-se a Petrobrás, patrocina tudo que rola pela Irlanda do Sul (Eire).
O final de semana estava agitado com o show do Sting & The Police. Um dia ensolarado em pleno outubro é como um verão inesperado que a galera resolveu aproveitar pra valer. Num ambiente que reúne gente de todas as idades, mas principalmente jovens que falam um monte de línguas diferentes, a alegria se irradia por todos os lados.
Dublin se tornou um pólo de atração de imigrantes à procura de trabalho. Ouvimos falar que cerca de 14% de sua população é constituída por jovens poloneses. Parece um exagero se levarmos ainda em consideração que há gente de toda a parte, vinda da África, do Oriente, inclusive do Brasil. Há até ciganas jovens, cheias de filhos a mendigar pelas ruas.
Porém, é bonito de ver o que ocorre nestes países da União Européia, com sua juventude migrando de um canto para outro e trocando figurinhas em vários idiomas. Muitos de tendência mais conservadora ficam atemorizados imaginando que isto não vai dar certo. Num período não muito superior a cinco anos, chegaram a Dublin mais de duzentas mil pessoas na faixa etária dos vinte anos. A Babel vai virar uma área cosmopolita rapidamente.
Este país que tem dois idiomas oficiais, o gaélico e o inglês, busca cultivar suas super-raízes culturais e enfrentar o desafio de mergulhar nas transformações atuais. Nas placas dos carros de Dublin vemos escrito em gaélico: Baile Átha Cliath. Uma cidade cujo nome começa em baile só pode ser uma festa, ora pois: é.
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
PROGRAMA DE INCA
Iniciamos a nossa aventura guiada em direção ao lago de Humantay, formado a partir do degelo das neves da montanha do mesmo nome. O lago situa-se na altitude de quatro mil e cem metros. Começamos nossa caminhada a partir do hotel, Salkantay Lodge (três mil e oitocentos metros), um conforto no meio do nada.
Quando se começa a andar com uma pequena mochila nas costas, os cuidados são típicos de quem mora nas cidades grandes, vai-se escolhendo os lugares onde pisar para evitar as bostas deixadas pelos animais e também contornando as poças de água e lama.
A trilha é uma subida em meio a montanhas, margeando enormes vales de onde se avistam os montes nevados Humantay e Salkantay, Na altitude andina as encostas dos morros são cheias de pedras e vegetação rasteira e seu relevo acidentado oferece belas paisagens.
Os andarilhos têm objetivos a atingir e usufruem relativamente pouco destas belezas naturais, porque andam, pela trilha sinuosa a beira de precipícios e cheias de desníveis, a maior parte do tempo olhando para chão. Os melhores momentos são aqueles em que você é obrigado a parar para recuperar a respiração afetada pela altitude e assim poder apreciar as imagens que te cercam.Para-se, apoia-se o queixo sobre o cajado e chega-se a fazer uma análise “custo-benefício” de tal empreitada turística.
Porém, quando se chega ao lago, a satisfação é enorme, em frente o monte Humantay nevado , e o lago de origem glacial com sua água esverdeada. A natureza em bruto, bela e exuberante.
A gente se sente como um Inca a reverenciar a divindade dos glaciares que lhes fornece as água.
As margens do lago são formadas por pedras de muitas cores e tamanhos, arredondadas e pequenas placas. Empilhando-as os viajantes formam pequenas oferendas (apacheta) aos deuses.
Dizem que alguns que adoram outras divindades veriam ali oportunidades para vários tipos de negócios para se ganhar dinheiro... Quem sabe um pedalinho! Ou um caiaque! He! He!
Quando se começa a andar com uma pequena mochila nas costas, os cuidados são típicos de quem mora nas cidades grandes, vai-se escolhendo os lugares onde pisar para evitar as bostas deixadas pelos animais e também contornando as poças de água e lama.
A trilha é uma subida em meio a montanhas, margeando enormes vales de onde se avistam os montes nevados Humantay e Salkantay, Na altitude andina as encostas dos morros são cheias de pedras e vegetação rasteira e seu relevo acidentado oferece belas paisagens.
Os andarilhos têm objetivos a atingir e usufruem relativamente pouco destas belezas naturais, porque andam, pela trilha sinuosa a beira de precipícios e cheias de desníveis, a maior parte do tempo olhando para chão. Os melhores momentos são aqueles em que você é obrigado a parar para recuperar a respiração afetada pela altitude e assim poder apreciar as imagens que te cercam.Para-se, apoia-se o queixo sobre o cajado e chega-se a fazer uma análise “custo-benefício” de tal empreitada turística.
Porém, quando se chega ao lago, a satisfação é enorme, em frente o monte Humantay nevado , e o lago de origem glacial com sua água esverdeada. A natureza em bruto, bela e exuberante.
A gente se sente como um Inca a reverenciar a divindade dos glaciares que lhes fornece as água.
As margens do lago são formadas por pedras de muitas cores e tamanhos, arredondadas e pequenas placas. Empilhando-as os viajantes formam pequenas oferendas (apacheta) aos deuses.
Dizem que alguns que adoram outras divindades veriam ali oportunidades para vários tipos de negócios para se ganhar dinheiro... Quem sabe um pedalinho! Ou um caiaque! He! He!
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