sábado, 30 de abril de 2011

CIRCULANDO PELA CÓRSEGA

Chegamos dia 27 de abri, ao final da tarde, em Bastia considerada a capital da “Alta Córsega”. Após um sono regenerador, logo às oito da manhã pusemos o pé na estrada para contornar o Cap Corse que fica ao norte da ilha. Rodamos por estradas estreitas e mal conservadas, de quando em quando, apreciando os abismos que desenhavam os contornos do mar. Sol aberto e muita nebulosidade no horizonte. Parece que em dias transparentes pode-se avistar a Itália e longe o cume dos Alpes nevados. Sei não! Mas, as paisagens são ma-ra-vi-lho-sas, como dizem os gaúchos.

Um dos lemas da Córsega é: “Ilha da Beleza”, mas poderia também ser: “Ilha das marinas”. Em um trecho de mais ou menos duzentos quilômetros passamos por quatro marinas enormes, com muitos veleiros e lanchas de respeito. Pois é, parece que essa turma do Mediterrâneo gosta de navegar, faz muito tempo, não é?

Hoje, dia 30, estamos em Ajaccio, capital da Córsega e terra natal de Napoleão Bonaparte. É a maior cidade de ilha, e mostra pujança e animação.

Estamos em enorme expectativa, pois vamos fazer um passeio de barco que promete mostrar as maravilhas dessa costa de natureza exuberante! Vamos `sacar` muitas fotos.

Dizem que o idioma local é o Corso. Vemos nas placas o movimento nacionalista riscando as palavras em francês, mas por enquanto não deu para perceber o quanto é forte a cultura local. Não sabemos se eles têm tanta areia no caminhão para poder se separar da França ou se é apenas juntar forças para se fazer respeitar.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

VAMOS VIAJAR PARA BASTIA?


Quando sentei diante do computador para escrever estas mal digitadas linhas, ouvi uma pessoa gritando na rua: “olha aí o vassoreiro!”, “olha as vassouras”, “quer comprar vassoura?”. Logo me lembrei da minha infância na Rua Capote Valente, em São Paulo. Toda a semana passava por nossa rua um ceguinho acompanhado de um rapaz oferecendo vassouras de vários tipos. Ficou marcada na minha mente aquela cena, me impressionava a figura do cego que tinha a cabeça voltada para cima. Naquela época não me perguntava se afinal era ele que empregava o menino, ou ao contrário seria alguém que se valia dos dois. Enfim o que teria a ver o cego com a venda daqueles instrumentos tão comuns em todas as casas. Ora Zé, apenas um marketing que deu certo, diria provavelmente o seu Alfredo.

Mas, o assunto é outro. Vamos viajar para o Mediterrâneo.

Primeira parada do passeio será Bastia, nosso ponto de chegada à Córsega. Vamos dar um giro pela ilha que é também conhecida por ter sido berço de Napoleão Bonaparte (nasceu em Ajaccio, capital da Córsega). A ilha já pertenceu a Gênova e atualmente é um departamento da França. A língua local é o “corso” dialeto italiano e eles vivem as turras com os franceses. Talvez, além da natureza exuberante, possamos assistir alguma manifestação nacionalista, esperamos pacifica.

Depois vamos seguir para a Sardenha, Sicília, Calábria, Costa Amalfitana e Nápoles. Muita natureza, pastas, frutos do mar e um pouco de vinho. Sem deixar de curtir é claro o jeito italiano de ser.


Partimos dia 26 de abril, até lá! Contando estórias e sacando fotos...

sábado, 29 de janeiro de 2011

LA PIERRADE – FONDUE NA PEDRA

Em Gramado, levados por nosso anfitrião Vini, fomos apresentados ao Fondue na pedra em um restaurante chamado Chateau de La Fondue.
Agradável surpresa: trouxeram-nos uma bandeja de pedra sabão previamente aquecida e mantida quente com a ajuda de um réchaud à álcool. A seguir quatorze potinhos com diversos molhos salgados e doces: vinagrete, mostarda, raiz forte, cebola caramelada, farofinha, etc. Por último uma travessa repleta de bifinhos de filé mignon, frango e filé de porco. De dar água na boca.
Com a ajuda de espetinhos de fondue seguimos o ritual de assar as carnes na pedra, escolher um molho e degustar o tal de fondue na pedra. Que maravilha, Tchê!
Para mim novidade.
Claro que deve ser uma das formas mais antigas descobertas por nossos antepassados pré-históricos, mas acompanhado de um bom vinho deve ser um pouco mais recente.
Perguntamos ao garçon e ele nos disse que já a cerca de dez anos os restaurantes de Gramado servem estas delícias gastronômicas na pedra, também com outras receitas, com legumes, camarão, lagosta e frutos do mar. Enfim a turma cria e recria novidades culinárias.
Tempos atrás, quando em dias de inverno glacial, resolvia-se comer um fondue, sabia-se que junto seríamos defumados pela mistura dos cheiros das panelas de óleo com as fumaças dos cigarros. Saía-se cheirando até a alma. Alguns juravam beijando os dedos em cruz que durante pelo menos um ano se tornariam vegetarianos ortodoxos.
Pois é, o tal de fondue na pedra substitui com vantagem aquele feito nas panelas tradicionais.
Vive La Pierrade!

sábado, 6 de novembro de 2010

Dublin


A cidade parece estar em festa todos os dias. A Lapa daqui se chama Temple Bar, um mini-bairro de poucas ruas que tem um Pub encostado no outro. Quando os visitantes chegam pela primeira vez são informados que este espaço de prazer, que leva o nome de um de seus bares mais famosos, não fecha às onze, como em Londres, mas depois das duas da madrugada. Muita música combinando com muita cerveja, especialmente a Guiness, cuja imagem e referência aparece em todos os cantos da cidade. Assemelha-se a Petrobrás, patrocina tudo que rola pela Irlanda do Sul (Eire).
O final de semana estava agitado com o show do Sting & The Police. Um dia ensolarado em pleno outubro é como um verão inesperado que a galera resolveu aproveitar pra valer. Num ambiente que reúne gente de todas as idades, mas principalmente jovens que falam um monte de línguas diferentes, a alegria se irradia por todos os lados.
Dublin se tornou um pólo de atração de imigrantes à procura de trabalho. Ouvimos falar que cerca de 14% de sua população é constituída por jovens poloneses. Parece um exagero se levarmos ainda em consideração que há gente de toda a parte, vinda da África, do Oriente, inclusive do Brasil. Há até ciganas jovens, cheias de filhos a mendigar pelas ruas.
Porém, é bonito de ver o que ocorre nestes países da União Européia, com sua juventude migrando de um canto para outro e trocando figurinhas em vários idiomas. Muitos de tendência mais conservadora ficam atemorizados imaginando que isto não vai dar certo. Num período não muito superior a cinco anos, chegaram a Dublin mais de duzentas mil pessoas na faixa etária dos vinte anos. A Babel vai virar uma área cosmopolita rapidamente.
Este país que tem dois idiomas oficiais, o gaélico e o inglês, busca cultivar suas super-raízes culturais e enfrentar o desafio de mergulhar nas transformações atuais. Nas placas dos carros de Dublin vemos escrito em gaélico: Baile Átha Cliath. Uma cidade cujo nome começa em baile só pode ser uma festa, ora pois: é.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

PROGRAMA DE INCA

Iniciamos a nossa aventura guiada em direção ao lago de Humantay, formado a partir do degelo das neves da montanha do mesmo nome. O lago situa-se na altitude de quatro mil e cem metros. Começamos nossa caminhada a partir do hotel, Salkantay Lodge (três mil e oitocentos metros), um conforto no meio do nada.

Quando se começa a andar com uma pequena mochila nas costas, os cuidados são típicos de quem mora nas cidades grandes, vai-se escolhendo os lugares onde pisar para evitar as bostas deixadas pelos animais e também contornando as poças de água e lama.


A trilha é uma subida em meio a montanhas, margeando enormes vales de onde se avistam os montes nevados Humantay e Salkantay, Na altitude andina as encostas dos morros são cheias de pedras e vegetação rasteira e seu relevo acidentado oferece belas paisagens.


Os andarilhos têm objetivos a atingir e usufruem relativamente pouco destas belezas naturais, porque andam, pela trilha sinuosa a beira de precipícios e cheias de desníveis, a maior parte do tempo olhando para chão. Os melhores momentos são aqueles em que você é obrigado a parar para recuperar a respiração afetada pela altitude e assim poder apreciar as imagens que te cercam.Para-se, apoia-se o queixo sobre o cajado e chega-se a fazer uma análise “custo-benefício” de tal empreitada turística.


Porém, quando se chega ao lago, a satisfação é enorme, em frente o monte Humantay nevado , e o lago de origem glacial com sua água esverdeada. A natureza em bruto, bela e exuberante.

A gente se sente como um Inca a reverenciar a divindade dos glaciares que lhes fornece as água.
As margens do lago são formadas por pedras de muitas cores e tamanhos, arredondadas e pequenas placas. Empilhando-as os viajantes formam pequenas oferendas (apacheta) aos deuses.


Dizem que alguns que adoram outras divindades veriam ali oportunidades para vários tipos de negócios para se ganhar dinheiro... Quem sabe um pedalinho! Ou um caiaque! He! He!

sábado, 16 de outubro de 2010

VIAGEM A MACHU PICHU


Muitos anos antes da chegada dos invasores espanhóis nas serras peruanas, os Incas, povo que elegeu o Sol como seu Deus supremo, construiu uma civilização única em território situado em montanhas próximas aos Andes. Tiveram o seu período de esplendor até serem massacrados pelos conquistadores.
As ruínas existentes atraem pessoas de todos os cantos do mundo para admirá-las e também reverenciar a memória do povo Inca.


Cusco foi a capital deste império e hoje é base de apoio para todos aqueles que querem peregrinar por suas trilhas e visitar os diversos tesouros arqueológicos existentes na região. A cidade com cerca de quatrocentos mil habitantes vive basicamente do turismo.


A riqueza em arte sacra pode ser admirada na Catedral, no Templo da Companhia de Jesus, no Templo de San Blas e no Museo de Arte Religiosa, além de outras. Sente-se a dimensão do peso do colonizador espanhol, construindo suas igrejas cheias de ouro e prata sobre os templos Incas e impondo sua religião, seus ritos e sua cultura.


De Cusco, vamos percorrer a pé a trilha do Salkantay em direção a famosa Machu Pichu. Levaremos seis dias num trajeto de caminhadas, dormindo cinco noites em pequenos hotéis, estrategicamente localizados.


Vamos a Machu Pichu seguindo ao longo do Rio Salkantay e do Rio Santa Teresa, respirando o ar rarefeito da altitude andina, provavelmente sob algumas pancadas de chuva e pensando naquela civilização extinta que nos deixou como herança, lendas, traços culturais e ruínas dos seus templos de glória.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

CARALHOTAS E OVOS MOLES

Os portugueses são inigualáveis na arte de dar nomes às coisas. Pera Manca, Porca de Murça, Periquita, Cabeça de Burro, Cova da Beira são alguns nomes de vinhos conhecidos. Barriguinha de freira, Toicinho do céu, Papo de anjo, nomes de alguns docinhos bestiais.


Através do senso de humor lusitano, dos fados que choram a aventura de uma nação de navegadores, da saudade dos que foram e dos que ficaram, e de sua culinária, pode-se começar a entender a alma nostálgica portuguesa.



Rir-se e chorar-se.

A noite Lisboeta é uma festa permanente o que faz de Portugal, hoje, ponto de atração de gente de todos os cantos.

Mas, vocês já ouviram falar que algumas jovens gaúchas quando, em estando no Rio de Janeiro, vão à padaria e pedem um cassetinho e fazem o pessoal morrer de rir. Pois é, imaginem então umas raparigas de Almeirim irem ao Rio, entrarem numa panificadora e pedirem umas caralhotas...

Não se preocupem porque os ovos moles são apenas os de Aveiro. Em outros cantos, os miolos que são moles.