terça-feira, 19 de agosto de 2008

OSLO – as aliadas

Não esquecam de ver também as Fotos de Viagem

Alguns dizem que os turistas tem uma espécie de anjo da guarda; Carlos Castañeda diria que na verdade são aliados, que como surgem de repente, também desaparecem sem deixar vestigios.

Pois não é que estávamos as voltas com uns mapas em um ponto de ônibus na frente do portão de entrada do Vigeland Parque (o parque das esculturas: realização de quarenta anos de trabalho do notável escultor que dá nome ao parque), quando perguntamos a uma jovem que estava sentada em um banco da parada do ônibus se era necessário adquirir-se o ticket em algum lugar antes de subirmos na condução. Não é que a garota que era sérvia, falava português-brasileiro. Ela havia morado em Paranaguá, Paraná, no anode 1999 e tinha apreendido a falar razoavelmente bem a nossa língua. A menina nos contou que faz pós-graduação em geo-física em Houston e fala, além de Sérvio, sua língua materna, russo e inglês. Nos deu todas as dicas de como adquirir o Oslo Pass que dá direito a uso ilimitado no Metrô, tram (bondes) e ônibus, além de entrada livre nos diversos museu da cidade, ou seja: uma super economia de tempo e grana . Decididamente uma aliada. Quando nos voltamos para agradecer ela não se encontrava mais onde nós a haviamos deixado. Ela nos disse que se chamava Sonja (Sônia para nosotros).

Assim, com o passe, pudemos fazer um passeio de barco, um lunch cruise (buffet de camarão no bafo), por duas horas e depois visitar o Museu Kon Tiki, Museu do Folklore Norueguês, o Museu dos Vikings e o Museu do Munch. Pode parece que foi coisa de mais, mas não foi, pois não se gasta muito tempo em transporte nesta cidade. A rede deles é fantástica. (dá uma inveja danada).

Curiosamente, ao sairmos do museu do folklore para irmos ao museu do Munch, estávamos novamente olhando nossos mapas, quando uma senhora se aproximou de nós e nos ensinou como deviriamos fazer para ir ao Munch Museum, Ela anotou em um papel qual estação de ônibus deveríamos descer e fazer conexão com o Metrô local. Por fim, acabou indo com a gente até dentro da estação. Quando tentamos procurá-la para agradecer não a encontramos, sem dúvida era uma outra aliada...

A noite seguimos recomendação de Dom Mário e jantamos no restaurante Lofoten, na beira do cais. O prato do dia era um bacalhau fresco de comer aos prantos, agradecendo aos senhores do tempo por termos vindo a estas plagas.

domingo, 17 de agosto de 2008

DESEMBARQUE NA NORUEGA

Conforme previsto, apenas com meia hora de atraso, o vôo TP 506 da TAP pousou no aeroporto internacional de Oslo, procedente de Lisboa onde fizemos uma conexão e soubemos pela televisão que um nadador brasileiro, César Cielo, havia ganho uma medalha de ouro e ainda por cima, batido o recorde olímpico da prova de 50 m.;que marvilha! A incompetência da nossa imprensa em antever resultados não merece maiores comentários.

Embora a previsão do tempo para a chegada fosse de muita chuva, fomos premiados: o dia estava ensolarado e claro e da janela do avião já dava gosto de ver os recortes do litoral norueguês e uma quantidade enorme de barcos e veleiros: alguns ancorados e outros se movimentando pelas águas próximas ao porto da cidade. Vimos do alto também muitas casas, bem cuidadas, espalhadas por áreas verdes, que parecem compor pequenas fazendolas. Vista de cima a capital da Noruega já começa a mostrar encantos. Interessante! Pelo jeito o povo daqui é super ligado a tudo que tem a ver com o mar. Pudera, tanta costa, tanto mar, tanta tradição pesqueira, tanta guerra. Afinal estamos chegando a terra dos Vikings.

Os guias de viagem dizem que Oslo fui fundada no ano 1000 (número muito redondo para o meu gosto) e hoje sua população conta aproximadamente 550 mil habitantes. Uma cidade de tamanho ideal, cujos edificios raramente superam cinco pavimentos, com muitas praças ajardinadas e nesta época do ano ainda floridas. O padrão é de país desenvolvido: da gosto de ver tudo super cuidado e no verão povoada de jovens e turistas de todos os cantos do mundo.

Ao se caminhar pela cidade logo se percebe que em muitos lugares há esculturas, principalmente representando seres humanos, todas guardando um certo estilo. Depois se descobre, ao se visitar o parque mais importante de Oslo, que a cidade é marcada pelo obra de Gustav Viegeland, que dá o nome a um parque que abriga suas esculturas. São da Noruega também, o pintor Edvard Munch ( O Grito ) e o dramaturgo Henrik Ibsen( Casa das Bonecas).

A turma destas bandas em geral é loira, mas há também muitos indianos e africanos, o que lhe da face de cidade cosmopolita. Destaca-se o design de objetos para casa e as roupas norueguesas que são muito bonitas. Como em toda grande cidade de elevado poder de compra, estão presentes as grifes internacionais famosas.

Confesso que não vi ninguém utilizando aqueles capacetes com cornos dos filmes que tratam dos vikings; devem estar fora de moda.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

VAMOS VOAR PARA A ESCANDINÁVIA

Uma boa viagem invariavelmente começa muito tempo antes da gente botar o pé na estrada, nas conversas em casa na hora do almoço ou num bate-papo de bar, pão e vinho sobre a mesa. Pode cerveja também, churrasco, bebidas destiladas...

Pode tudo, principalmente sonhar.

Outro dia pensávamos em ir talvez para a Turquia, Grécia, Egito e por que não o Irã. Só por causa dos Iatolás, ou do Bush e seu eixo do mal. Pensando bem, não se deve rejeitar nenhuma possibilidade de viagem. Embora se saiba que é impossível ir a todos os lugares do mundo, não custa tentar, né?!

Hoje, com a Internet, as revistas e guias de viagem, a gente já viaja sem sair do lugar. E o GoogleEarth que coloca o mundo todo nas nossas mãos! Tudo tá fácil, demais.

Pois é gente, isso é para dizer que sexta-feira próxima estamos tomando um avião rumo a Escandinávia: vamos à Islândia, Noruega, Suécia e Finlândia. Vamos também visitar a Mari e o Edo em Londres, passando por Bordeaux para encontrar o Rafa e a Anne que moram lá. Não há segundas intenções, apenas coincidências. Como estaremos por lá, não poderíamos deixar de ir a Paris.

Na volta para casa, passaremos por Lisboa para dar um abraço na parte da família que mora em Lisboa: os primos, Belarmino, Maria Sofia, José Alfredo, Paula e Tomás.

Partiremos dia 15 de agosto e retornaremos dia 04 de outubro para votar, não sabemos em quem ainda.

O bispo Crivela não nos perdoaria se faltassemos a eleição (brincadeirinha gente, o bispo não é rancoroso)

Acompanhe todas as emoções nos blogs do Soeiro: crônicas e fotos de viagem.

Desculpem a confidência: estamos com T.P.V. (Tensão Pré-Viagem), mas vai passar...

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Uruguay


Terminamos nosso giro pelo Uruguai em Punta del Diablo. Os contrastes foram aparecendo. Do luxo de Punta del Leste para a simplicidade de uma vila de pescadores que está se transformando em um novo balneário. O lugar tem praias e dunas e nos dias que passamos por lá, muito vento; o pessoal destas bandas parece estar adaptado as circunstancias e não deixa de curtir por esses detalhes…
Visitamos também Cabo Polônio e a Fortaleza Santa Tereza. O cabo é um barato, chega-se somente de auto 4×4 por estradas de areia em meio a dunas, lugar do tipo woodstock não acabou ou área de preservação de bicho grilo. Já a fortaleza, construída em inícios do século XVIII, está super conservada, rodeada por um parque onde se pode acampar embaixo das árvores, com estrutura de camping. Pode-se acessar algumas praias de boas ondas o que atrai surfistas de vários lugares.
O Uruguai é um país que cativa aos poucos quem o visita devido, principalmente, a cordialidade de seu povo. Desde Rivera, ao lado de Santana do Livramento, onde iniciamos o nosso giro pudemos sentir como se tratam reciprocamente brasileiros e uruguaios. Pelo interior pegando suas estradas, bem conservadas, pudemos ver enormes descampados com diversas fazendas de pecuária extensiva.
Colônia do Sacramento, fundada pelos portugueses, é uma peça da historia da América Latina, das questões entre os impérios português e espanhol que começa a nos ensinar o que é o Uruguai. O centro histórico da cidade de Montevidéu, fundada pelos espanhóis, idem.
Punta del Este nos mostrou a importância da indústria do turismo numa economia que vive da exportação de carne e lã. A opulência de um dos balneários vips do mundo contrastando com a simplicidade decente do resto do país. Os pequenos lugares do litoral sendo descobertos pelos viajantes e mostrando as marcas da presença recente de turistas. Enfim é o progresso…
Temos mais semelhanças do que diferenças, nos sentimos em casa ao dar a volta na banda oriental ou na cisplatina, hoje Uruguay.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Casapueblo -– Punta del este


Pena que não tenhamos avistado a Dom Carlos Páez Vilaró, nem sequer para um aceno a distância. Mas, de qualquer modo, muchas gracias por nos receber em meio a instalação dos seus sonhos: a casapueblo construída na Punta Ballena, encima do morro, voltada para as praias do Rio da Prata e para o poente onde todos os dias o céu se colore de vermelho e dá-se a apoteose do astro rei a se mostrar como uma imensa bola de fogo.
Não é nada trivial um museu de arte aonde ainda vive seu autor, que este ano completará oitenta e cinco anos em plena atividade de produção artística; podem ser vistas várias telas datadas e assinadas de 2008.
Quando se adentra a casa-museu, vai se descobrindo um ambiente diferenciado, o do mundo das artes plásticas do começo do século vinte. Quem terá sido o arquiteto desta obra, talvez transplantada de alguma ilha grega? Por acaso Gaudi esteve por essas bandas? ou terá sido Picasso o inspirador do artista? E mestre Dali também terá dado palpites?
De concreto, uma construção chocantemente bela na qual se fica boquiaberto a admirá-la.
Estamos na casa de um grande artista, talvez um dos últimos de sua geração, que a divide com os outros através de um museu e de um hotel, construídos dentro do mesmo conjunto arquitetônico.
Sua obra construída por suas próprias mãos e de alguns amigos pescadores, inspirada na forma dos fornos de assar pães. Há nela uma infinidade de detalhes que se descobrem aos poucos em todos os cantos a que se dirija o olhar.
Há também duas salas, aonde estão expostos diversos quadros do autor em diferentes épocas de sua criação. Perguntado se estavam a venda foi-nos dito singelamente que sim, em média por cinqüenta mil dólares cada, portanto duas salitas com mais de um milhão de dólares nas paredes e sem qualquer segurança aparente.
A casapueblo em muito aumenta o charme da famosa punta del leste no Uruguay, que desde criança ouvíamos falar: como um lugar de luxo, com cassinos e espetáculos de artistas famosos.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Montevideo


Cidades que já tiveram seus momentos de glória, após passarem por períodos prolongados de crises políticas e econômicas, com ou sem guerras, apresentam cicatrizes e mostram as marcas do apogeu e do declínio. Os prédios construídos nos bons tempos que embelezavam suas ruas e praças mostram-se decadentes, caindo aos pedaços. O centro histórico que fora orgulho da cidade fica deserto nos fins de semana a abrigar miseráveis e mendigos a pedir esmolas a turistas e eventuais passantes. Muitas cidades do mundo conviveram e convivem com esta difícil realidade.
Porém, o tempo não para, as famílias passam a vender o que possuíam, a leiloar seus bens, suas obras de arte e até objetos pessoais, como fotografias e correspondências antigas. Passam a vender de tudo para tentar escapar a miséria. É o que encontramos nos antiquários, nos mercados das pulgas, nos brechós, nos alfarrabistas, nos sebos, a venderem todo tipo de objeto que significavam valor no passado e por diversos caminhos chegaram as ruas como a sinalizar que novos tempos virão, que é necessário restaurar as diversas construções antigas, dar-lhes novos usos.
Os bares, os restaurantes, as mesas nas ruas, os músicos, as festas populares, os vendedores de bugigangas, os turistas com suas inúmeras câmeras fotográficas a fazer perguntas singelas sobre tudo o que vêem aparecem em todas as cidades e através da vida noturna os centros ganham nova vida. Ou seja: a solução do problemas das grandes cidades está no lazer e na boemia.
O que isso tem a ver com Montevidéu? Tudo.
É uma daquelas cidades que quanto mais você caminha por ela mais detalhes dela lhe são revelados. Uma cidade com tradição e vida próprias, com orgulho de si mesma.
Ao mesmo tempo moderna com belos parques e bairros, com um centro comercial agitado, ao mesmo tempo antiga, com seus edifícios históricos, seus cantos e encantos, e com livrarias que são um misto de biblioteca e lugar de leitura, onde se pode comprar livros. Há alguns volumes que se pensa perguntar se estão a venda ou são apenas para consulta.
Alem disso o Carnaval em Montevidéu dura quarenta dias a partir do final de janeiro, com muita murga (música satírica apresentada por grupos fantasiados) e candombe (batuques afro-uruguaios que percorrem as ruas) e, se não bastasse, eles querem para si a gloria de terem sido os inventores do tango.
“Volte sempre” faz sentido quando se refere a Montevidéu, pois fica no viajante aquela vontade de continuar a caminhar por suas ruas, pelo porto, pela rambla a beira rio, e se gostares de mate, senta e toma que não estarás sozinho.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Lá pelo fim do mundo


Vários cantos do planeta já se apresentaram como o lugar onde Judas perdeu suas botas. Finis Terrae, Finlândia, Cú do Mundo, e outros… Em diferentes épocas e lugares, alguns, por desconhecimento ou deboche outros em busca de charme perseguem o status de fim do mundo em um planeta desde algum tempo considerado esférico.
Ushuaia é uma cidade portuária situada as margens do Canal de Beagle, no extremo sul da América Latina, que ostenta com orgulho o título de “fim do mundo” por ser a última antes do continente antártico (embora haja uma vila no outro do canal pertencente ao Chile que está um pouco mais a sul chamada de Porto Willians). Isto não interessa a eles. A cidade do fim do mundo é Ushuaia, em território argentino e estamos conversados.
Ela tem motivos para ter orgulho de si, pois fica numa pequena baía circundada por montes nevados, ponta sul das Cordilheiras dos Andes, com muita beleza natural. No verão faz calor e o tempo muda a todo momento e no inverno se cobre de neve transformando-se em estação para esportes de frio.
Nos últimos trinta anos, sua população passou de cinco mil para setenta mil habitantes e hoje apresenta muito movimento que vai alem do turismo, que por sinal atrai pessoas de todos os cantos do globo.
Ushuaia é legal no verão, mas deve ser muito mais bonita coberta de neve.
O que de certo podemos atestar é que nesta época de globalização o comércio e suas grifes já chegaram ao fim do mundo com eletrônicos e perfumes e que o aeroporto de lá recebe jatos de todos os tamanhos e está se tornando escala para vôos sobre o pólo sul para a Austrália e Nova Zelândia. Pelo jeito o fim do mundo da ficando cada vez mais perto.