domingo, 10 de fevereiro de 2008

Torres del Paine


Quem gosta de viajar por estradas de terra cheia de pedregulhos, com muitas curvas, subidas e descidas, passando em meio a fazendas e tendo que tomar cuidado para não atropelar animais silvestres, pode experimentar alugar um carro em El Calafate na Argentina, atravessar a Cordilheira em Cerro Castillo e visitar no Chile o Parque Nacional de Torres del Paine.
O forte da região é sua beleza natural: montanhas com picos nevados e enormes formações de pedra cuja forma se assemelham a torres e que apresentam varias faixas de cores a mostrar sua estrutura de formação geológica. Uma imagem natural que enche os olhos. Neste ambiente natural os programas concentram-se em caminhadas por diversas trilhas para buscar as melhores vistas das próprias “torres” e também dos lagos cujas águas refletem inúmeras cores deslumbrantes, alem da graça de suas pequenas cachoeiras. Uma câmera fotográfica é um instrumento indispensável nestes passeios.
Não recomendamos o que fizemos: alugar um carro pequeno (corsa) e viajar pelas estradas de lá, todas bem feitas, porem com muita pedra e desníveis fazendo o auto bater a todo momento no chão. Para viajar por ali é necessário um auto mais alto, tipo turismo rural, pois as distâncias para realizar os passeios e excursões são de trinta a quarenta quilômetros dentro da reserva natural.
Como não permitem a construção de postos de gasolina dentro da área o jeito foi se virar no mercado paralelo (informado pelo pessoal da administração) e pagar três vezes o preço do praticado na Argentina. Visitar Torres del Paine guarda mais emoções do que as reveladas por sua beleza natural.

sábado, 9 de fevereiro de 2008

PATAGONIA ARGENTINA ( EL CALAFATE )


Se quer conhecer a Argentina na parte abaixo de Bariloche prepare-se para viajar muito. Vai encontrar muitas surpresas agradáveis. El Calafate é uma cidade plantada em pleno deserto patagônico, um projeto pensado para ser a base de apoio turístico para quem deseja conhecer lagos e geleiras: as maravilhas da região, que são muitas.
Para ir até lá é necessário, a partir de Buenos Aires, percorrer três mil quilômetros de estradas ou de avião. A cidade situa-se ao lado de um lago (Lago Argentino) que no verão tem uma cor que transita entre verde e azul turquesa, de onde se avista, ao longe, as Cordilheiras dos Andes com alguns picos nevados. É uma cidade de aproximadamente dez mil habitantes, bastante animada, com diversos e bons restaurantes, muitos hotéis modernos e um comercio variado, o que inclui até um cassino novo.
Fica no departamento de Santa Cruz que é a área onde a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, tem base política, casa e familiares; o que talvez explique a qualidade das estradas próximas, de um asfalto impecable a rasgar o deserto. Dirige-se por estas rutas como se estivéssemos sós e de repente surgem diante dos nossos olhos ou cruzando a pista, diversos bichos ainda em ambiente livre ou em enormes fazendas que margeiam as vias: nhandus, lebres, guanacos, ovelhas, raposas, caranchos e gaviões. Ocorre também, de vez em quando, sermos ultrapassados por herdeiros de Juan Manuel Fangio em suas maquinas voadoras. Como os argentinos gostam de correr, né?!
De El Calafate parte-se de carro ou em ônibus para realizar magníficos passeios. Este nos levam até os portos onde tomam-se barcos (grandes catamarãs) que navegam tranqüilos pelos lagos a passear em meio a pequenos e grandes icebergs que recentemente se desprenderam de alguma geleira próxima. Navegam pelos lagos ate as áreas onde estão as grandes formações de gelo. A visão destes enormes glaciares - blocos de gelo que vão se formando ao longo dos anos pelo acumulo e compactação de neves e que tomam as mais variadas formas – é realmente deslumbrante. Caminhar sobre eles é uma bela experiência. Em um dia de Sol aberto, do alto do convés de um barco, sente-se o ar frio a bater no rosto que se espanta com a beleza exuberante da natureza e seus vários azuis refletidos nos gelos.
El Calafate é coisa séria que combina conforto e natureza para passeios de barco, caminhadas a pé ou a cavalo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Pato a Porteña


A travessia tranqüila do Rio da Prata no super confortável catamarã da empresa “buquebus” reserva aos passageiros boas surpresas, desde a partida da pequena Colônia do Sacramento, com a vista do seu casario colonial, até a exuberante imagem da chegada a Buenos Aires.
A capital da Argentina mostra-se majestosa em seus inumeráveis edifícios modernos ao longo do Puerto Madero. O desenho é de uma grande metrópole que convida quem chega a caminhar por alguma coisa que deve ser grandiosa e merece ser conhecida.
Ao descermos no porto encontramos um sistema que se assemelha ao de um aeroporto, o barco se aproximando de um píer com finger permitindo aos viajantes chegar facilmente a área aonde as bagagens são entregues através de esteiras rolantes; em poucos minutos estávamos na rua. Aí o de sempre, ou seja, a abordagem para oferecimento de táxis. Como somos experientes recusamos e nos dirigimos ao ponto em frente ao terminal, tudo conforme o figurino, um carro mais ou menos meia boca, mas pelo menos com ar condicionado ligado. Rapidamente levou-nos ao hotel mesmo tendo de passar por um congestionamento de caminhões. Sem problema não reclamou da nota de cinqüenta pesos com que pagamos a corrida.
Fomos logo almoçar pois a fome começava já a apertar o estomago. Não chegava a ser uma comida a altura da tradição do país mas quebrou o galho.
Ao sairmos do restaurante lembrei-me que precisava passar numa farmácia para comprar rinosoro, sabe como é mania né Zé.
Ao pagar a conta com uma cédula de vinte pesos a caixa me disse: - –É falsa.
-Como?
-É falsa.
Caiu a ficha: a nota que o taxista deu-nos de troco era falsa.
Beleza, o cara pensa que tá ligado e acabou experimetando um belo pato a moda argentina…

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Colonia


Uma pequena cidade ao sul do Uruguai tem muita historia para contar. A começar por sua fundação ter sido realizada a mando da Coroa Portuguesa pelo governador do Rio de Janeiro Dom Manuel Lobo. A estratégia dos portugueses era controlar o acesso ao continente sul-americano pelo Rio da Prata. De um lado do rio os espanhóis em Buenos Aires, do outro lado os portugueses em Colônia do Santíssimo Sacramento. Assim a pequena vila fortificada esteve sempre “ensanduichada” entre o Império Espanhol e o Império Português. Nesta época rolava contrabando de escravos, prata, couro e tudo o mais. E a política das metrópoles tentava controlar o comercio e extrair impostos.
Durante o período colonial a vila, por vários períodos, esteve em mãos de espanhóis e depois retornava as mãos dos portugueses, área de permanente conflito entre os impérios. Suas historias assim sendo são de lutas, naufrágios, ataques e defesas. O seu povoamento se dá a partir dos “brasileiros” e de posteriores migrações forçadas: colonos açorianos, escravos negros, e judeus “convertidos” em “cristãos-novos”, alem naturalmente de indígenas.
Para nós, é inevitável a comparação com Paraty, pelo estilo arquitetônico, o desenho da vila, o traçado das ruas e sua forma de calçamento. A diferença é que ao estilo português se mistura o espanhol, `as casas de pedra se juntam as de tijolos. Este fato se deve a que a vila ora ficava sob domínio de um império ora do outro; ora Avis, ora Castela.
Patrimônio Histórico Cultural da Humanidade da UNESCO desde 1995, fundada em 1680 com o nome de Colônia do Santíssimo Sacramento, a cidade de Colônia é cheia de graça e charme. Ao anoitecer começa-se a ouvir o batuque do Candombe tocado pelas ruas, ao modo de um pequeno bloco de carnaval que passeia pelas ruelas da cidade histórica. O ritmo do candombe é originário dos escravos africanos e sua batida ritmada combina com esses dias que antecedem o carnaval.
Devido a proximidade com Buenos Aires, apenas uma hora de barco, o Buquebus traz todos os dias muitas pessoas para passear por estas bandas. Também vem muitos turistas de Punta del Leste e Montevideo passar apenas o dia em Colônia.
Desta maneira o ritmo da vila é quase baiano: de manhã as coisas abrem as dez e meia, horário do primeiro barco que chega; da uma as três é a hora da “siesta” e depois trabalha-se até as seis porque ninguém é de ferro. O resto é para beber e relaxar…

sábado, 26 de janeiro de 2008

Ribeirão da Ilha


Uma das coisas boas que por vezes nos acontecem durante as viagens é quando de repente uma agradável surpresa ocorre. Pois foi o que nos reservou Florianópolis nesta segunda-feira de dia encoberto parecendo esperar pela entrada do vento sul: a descoberta de um recanto.
Fomos ao sul da ilha e ao chegar uma placa avisava, FREGUESIA DE RIBEIRAO DA ILHA, e já por sua linguagem nos revelava tratar-se de um recanto remontado a influencia lusitana, mais precisamente, açoriana.
Que encanto de lugar! Sentimos que estávamos a viajar pelo tempo passado ao percorremos uma rua toda de pequenas casas térreas, pintadas de cores vivas, com janelões emoldurados por pedras ou relevos e com grandes portas. Como convinha a época colonial, uma igreja voltada para o mar foi construída sobre um pequeno outeiro. Diante dela uma praça onde ainda hoje, se pode ler na parede de uma casa: 1806, portanto as vésperas da vinda família real para o Brasil Colônia.
O recanto nos sugere uma idéia de como aquela gente, em sua maioria agricultores e pescadores, teria ocupado a Ilha de Santa Catarina, nos fazendo imaginar como seria Floripa antes da enorme expansão imobiliária atual.
Neste lugar de enorme charme pode-se também saborear ostras e mariscos cultivados ali mesmo, alguns pelos próprios donos dos restaurantes, como o do restaurante Freguesia das Ostras, cuja sala simples nos oferece de ambiente a vista do mar e do continente.
No sul da ilha de Florianópolis ha um recanto cheio de encanto enquanto ainda ha de quem dele cuide.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Jardim de Palácio


Cores de outono nos caminhos de um palácio na costa oeste da Irlanda do Sul
 

Mão Inglesa


Uma das melhores maneiras de se viajar é de carro, por estradas secundárias. A cada quatro ou cinco quilômetros passa-se por uma aldeia, uma pequena vila. Os caminhos são cheios de curvas, as vias estreitas, com pouco movimento; às vezes é necessário esperar, que algum rebanho de ovelhas ou de vacas, deixe-nos passar, ou então, ir vagarosamente seguindo um trator até que este vire à direita ou à esquerda e desapareça no meio do campo. Freqüentemente, quando se erra é que se acerta, e se chega a lugares não imaginados, vivenciando-se situações que ficam na memória.
Não sei bem o porquê mas sempre tive medo de pensar em dirigir nos países que adotam a chamada Mão Inglesa. Desta vez porém, tomei coragem e aluguei um carro para dirigir no País de Gales. Vindo por barco de Dublin, chegamos a uma pequena cidade portuária: Holyhead, e lá pegamos o auto que havíamos alugado pela Internet.
Viajamos por três dias até Cardiff, atravessando o exuberante parque da Snowdonia e pernoitamos em Betws y Coed, uma espécie de aldeia galesa construída à beira de um rio, uma graça. Como já estamos no outono, a variedade de cores das folhas é sensacional, é daquele tipo de paisagem explorada por fotógrafos, pintores e cineastas, além daqueles que misturam palavras e mais palavras tentando descrever o que somente estar lá permite sentir na sua totalidade mutante.
O tal de Wales merece respeito, o campo todo parece um jardim sem fim, todo cuidado e repartido por cercas de pedra que dividem a terra em áreas de pastoreio de ovelha e pastos para gado. Qualquer lado que se olhe se enxerga, ao menos uma ovelha, mas o normal é se ver grandes rebanhos delas.
Dirigir com tudo ao contrário foi mais fácil do que eu pensava. Na verdade, a maior dificuldade estava na largura das estradas. As vias são bem pavimentadas e sinalizadas, mas são estreitas e em muitos trechos com muros de pedra dos dois lados, sem acostamento. Depois dessa experiência eu correria mole-mole a prova de automobilismo do Principado de Mônaco. Mas o que é a vida sem emoções, não é?! A parte mais fácil foi que o carro tinha GPS e uma moça que ia dizendo o caminho que tinha que ser feito. A danada da guria conhecia todos os caminhos e não errava nunca. Uma beleza, só vendo e ouvindo.
Visitamos no litoral a localidade de St Govans, de onde podem ser vistas escarpas e penhascos deslumbrantes (sea cliffs) e também uma praia de surfistas em Aberystwyth. Mesmo com o dia sinistro tinha uma galera pegando umas ondas.
O País de Gales confirma sua fama, tem um povo cordial e é super bem cuidado por sua população. Os caras ainda se dão ao luxo de ter dois idiomas oficiais e falar a língua dos antepassados: o Welsh (Galês), além do inglês. O status político é de um condado que se tornou um país membro do Reino Unido.
Viajar é conhecer, e viajar pela mão inglesa é ver as coisas por outro ângulo, onde a direção é do lado direito do carro, mas se dirige pelo lado esquerdo das ruas. Fiquei a me perguntar quantos serão os países que adotam um sistema ou outro de orientação no trânsito? Parece uma pergunta sem importância. E é.