A partir de sexta-feira próxima, dia 14 de setembro, retornamos às nossas crônicas de viagem.
O roteiro prevê: Lisboa, Açores, Ilha da Madeira, Londres, Belfast, Dublin e Pais de Gales.
Ao fazermos as malas colocamos junto um punhado de expectativas, de boas intenções, de vontade de conhecer lugares históricos e gentes atuais, experimentar pratos, beber vinhos e na Irlanda darnos a oportunidade de testar algumas cervejas. Quem sabe ouvir um pouco de música, assistir algum concerto, olhar paisagens, enfim vagar, vagabundear pelas paragens e paisagens das ilhas e do continente.
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
terça-feira, 21 de novembro de 2006
Chile
Um país sul-americano parece estar saindo do rol dos subdesenvolvidos. Visitar o Chile, mesmo que por duas semanas, oferece ao passante a sensação de estar num lugar onde as coisas funcionam, onde não é raro ouvir da população expressões de auto-estima elevadas. Também pudera, a educação está universalizada e a desgraça do analfabetismo erradicada. O principal patrimônio do país são os chilenos educados e cordiais. Mesmo com uma economia que depende basicamente do cobre, da produção de frutas, pescados e vinhos, eles estão conseguindo manter durante vários anos taxas de crescimento elevadas o que torna visíveis a olho nu seus resultados. As estradas chilenas nada devem às dos países europeus, a frota de automóveis é nova. O Metro de Santiago é um show, e já possui uma rede maior que a da cidade de São Paulo. Não se observam favelas e casebres mesmo nos ambientes mais pobres. Os conjuntos habitacionais são mais criativos que os nossos. Vêem-se novas construções de modernos edifícios por todos os lados e sua capital prima pela limpeza e comportamento coletivos exemplares. Convivendo com a poluição atmosférica, Santiago é também, uma cidade arborizada, e suas ruas e avenidas têm calçadas largas. O incrível é que eles conseguem ainda se identificar como pedestres e a gente estranha que os carros parem e aguardem as pessoas atravessarem as ruas.
É para pensar: uma das principais atrações turísticas do Chile são as vivendas construídas por seu poeta maior Pablo Neruda (La Chascona em Santiago, La Sebastiana em Valparaiso e a de Isla Negra). O personagem principal do filme “O Carteiro e o Poeta”, Don Pablo foi escritor, intelectual, político, militante do partido comunista, diplomata e ganhador do Prêmio Nobel de literatura. Ele faleceu de desgosto e infarto, ao ver sua casa de Santiago empastelada, alguns dias após o golpe de estado de 1973, que vitimou seu amigo e companheiro Salvador Allende. Ele mora no coração e na memória de seu povo.
Mas é, na deslumbrante Região dos Lagos Chilenos, sem dúvida uma das mais lindas do globo, que o espírito se enternece. Protegida por seus parques nacionais, a paisagem combina a cor esmeralda das águas dos lagos, com a paisagem das montanhas nevadas e serras cobertas de florestas verdes. Nas estradas de acesso, uma vegetação sem-vergonha, como se fosse praga, decora de amarelo os caminhos. O Monte Osorno, vulcão adormecido, com suas neves eternas, forma um cone que se assemelha a um sorvete de pistache coberto de calda de chocolate branco, que os mais viajados dizem se parecer com o Monte Fuji, no Japão.
“À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava, a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.”
in “O teu riso” Pablo Neruda
sábado, 23 de setembro de 2006
Açores
Pensei que não existisse mais, ou, talvez, não houvesse sequer existido, um lugar onde não se ouvisse um mendigo a pedir esmolas “pelo amor de Deus”. Nem cidades e campos sem a presença de policiais. Sem se escutar discussões ou bate-bocas nas vias públicas. Apenas um espaço ocupado por vivendas de diversos tamanhos, na maioria térreas, sendo exceção ter mais de um piso; casas construídas geminadas ou em terrenos quase sempre sem muros a separá-las. Estradas floridas e campo plantado.
Pois, percorremos durante três dias a ilha de São Miguel, nos Açores, passando por vilas e pequeninas cidades, atravessando um ambiente rural, onde domina a presença das vacas holandesas, em estradas todas elas parecidas com aquelas das serras gaúchas, Campos de Jordão ou Itatiaia, vendo hortênsias novas misturadas às murchas, lírios cor de rosa, flores amarelas em cachos; apreciando as misturas em azul, branco e ocre, tons sobre tons, todos os tons. Vimos plátanos com troncos de cor ferrugem formando alas à beira da estrada, assobradando o asfalto e colorindo as curvas e retas do nosso caminho. Um lugar onde o mar, a vida urbana, a vida rural e as belas paisagens convivem simplesmente.
Visitamos apenas a Ilha de São Miguel, mas o arquipélago dos Açores compõe-se de nove ilhas: São Miguel, Terceira, Santa Maria, Pico, São Jorge, Graciosa, Faial, Corvo e Flores. Seu nome se deve a um tipo de falcão que, segundo dizem os guias turísticos, os primeiros navegadores que aqui aportaram teriam visto. Falam que eram urubus as aves que eles avistaram ao se aproximarem da ilha de Santa Maria em 1427. Hoje em dia, há muitas gaivotas e fragatas sobrevoando e se alimentando de peixes e naturalmente curtindo a vista lá de cima. Há também algumas aves que se assemelham a gaviões, quem sabe não possam ser apelidados de Açores.
A capital da ilha de São Miguel é Porto Delgado. Uma cidade muito parecida com as nossas brasileiras, de arquitetura colonial portuguesa, que nos faz sentir em casa. Parece-se com Paraty, Itanhaém ou Diamantina há cinqüenta anos atrás. Singela mistura de história, simplicidade e acolhimento. Lá tivemos a chance de assistir a uma banda de fado liderada, por um emigrante açoriano que foi viver na Holanda. A Banda Quatro Ventos é composta também por músicos holandeses, que se apresentaram na casa de espetáculos local, o Teatro Micaelense. Fez arrepiar quando tocou o fado “Adeus Macau”, narrando a saída portuguesa da China. A música chora pelos Lusíadas, pela nação de navegadores e pelos inventores da saudade.
segunda-feira, 7 de agosto de 2006
Nas Asas da VARIG - O Retorno
“Da janela vê-se o Corcovado, o Redentor, que lindo!” Ei galera, estamos de volta, no pedaço novamente.
O retorno pela VARIG, nas atuais circunstâncias, teve suas emoções. Acompanhamos atentamente, pela Internet, o noticiário sobre as negociações para recuperação da empresa, os dramas vividos pelos empregados e pelos passageiros, entre os quais nós. Notícias desencontradas e falta de informação causaram suspense. Telefonamos, enviamos e recebemos e-mails, tentamos alternativas em outras companhias (que obviamente começaram a aproveitar-se da situação, pedindo preços elevados). Alguns números de telefone não atendiam, outros deixaram-nos a ouvir gravações com mensagens de espera. Porém a Varig-logo nos reservava uma agradável surpresa. Soubemos que todas as operações na Europa teriam como base o escritório situado em Frankfurt. Por uma dessas felizes coincidências estávamos em Koblenz, cidade alemã localizada na confluência dos rios Mosele e Reno, que dista cerca de 100 km. de Frankfurt. Resolvemos então, ir lá para checar à situação de perto, pois a estávamos conhecendo apenas por notícias e fofocas. Ficamos satisfeitos com o que vimos. A empresa está em situação difícil, mas lidando com os problemas de maneira profissional. Estão colocando vôos extras e se encarregando da hospedagem dos passageiros que não conseguem lugar. Enfim, organizaram a nossa volta comprando para nós o trecho Paris-Frankfurt pela Lufthansa e reservando assentos no vôo da Varig Frankfurt-Rio de Janeiro. Tudo dentro dos conformes. Nenhuma mala foi extraviada mesmo com duas conexões. Incrível, principalmente se levarmos em conta a zona em que se transformaram os aeroportos de toda à parte, sendo que o de Paris concorre a prêmio no quesito zorra total.
Na volta o piloto da VARIG resolveu oferecer um regalo aos passageiros, programou a rota de modo a dar um sobrevôo sobre Paris. Era meia-noite e vinte minutos, a noite estava limpa e pudemos contemplar a cidade luz mais uma vez, agora de cima: observar a torre Eifel iluminada, a Ilha da Cité e o traçado iluminado de seus Boulevards e dizer Au Revoir Paris.
O retorno pela VARIG, nas atuais circunstâncias, teve suas emoções. Acompanhamos atentamente, pela Internet, o noticiário sobre as negociações para recuperação da empresa, os dramas vividos pelos empregados e pelos passageiros, entre os quais nós. Notícias desencontradas e falta de informação causaram suspense. Telefonamos, enviamos e recebemos e-mails, tentamos alternativas em outras companhias (que obviamente começaram a aproveitar-se da situação, pedindo preços elevados). Alguns números de telefone não atendiam, outros deixaram-nos a ouvir gravações com mensagens de espera. Porém a Varig-logo nos reservava uma agradável surpresa. Soubemos que todas as operações na Europa teriam como base o escritório situado em Frankfurt. Por uma dessas felizes coincidências estávamos em Koblenz, cidade alemã localizada na confluência dos rios Mosele e Reno, que dista cerca de 100 km. de Frankfurt. Resolvemos então, ir lá para checar à situação de perto, pois a estávamos conhecendo apenas por notícias e fofocas. Ficamos satisfeitos com o que vimos. A empresa está em situação difícil, mas lidando com os problemas de maneira profissional. Estão colocando vôos extras e se encarregando da hospedagem dos passageiros que não conseguem lugar. Enfim, organizaram a nossa volta comprando para nós o trecho Paris-Frankfurt pela Lufthansa e reservando assentos no vôo da Varig Frankfurt-Rio de Janeiro. Tudo dentro dos conformes. Nenhuma mala foi extraviada mesmo com duas conexões. Incrível, principalmente se levarmos em conta a zona em que se transformaram os aeroportos de toda à parte, sendo que o de Paris concorre a prêmio no quesito zorra total.
Na volta o piloto da VARIG resolveu oferecer um regalo aos passageiros, programou a rota de modo a dar um sobrevôo sobre Paris. Era meia-noite e vinte minutos, a noite estava limpa e pudemos contemplar a cidade luz mais uma vez, agora de cima: observar a torre Eifel iluminada, a Ilha da Cité e o traçado iluminado de seus Boulevards e dizer Au Revoir Paris.
segunda-feira, 17 de julho de 2006
Nas asas da VARIG
A Varig já foi grande no nosso imaginário, dizíamos que ela tinha o melhor serviço de bordo do mundo, em um tempo romântico, quando viagens de avião não eram coisas corriqueiras. As famílias iam se despedir daqueles que tinham a coragem de viajar de avião ou então recebe-los com festa, quando voltavam de longas estadias fora de casa. Subir as escadas que levavam ao aparelho, parar em seu cimo, voltar-se para um adeus de lenço branco na mão, fazia parte do ritual das personalidades fotografadas para as revistas. Era um acontecimento que herdara as emoções das viagens de navios a vapor que levavam as famílias aos portos para grandes despedidas. Quantas lágrimas, juras de cartas nem sempre cumpridas.
A cada nova rota inaugurada pela Varig eram criados jingles e filmetes para a televisão, todos uma atração, que terminavam invariavelmente com o famoso Varig, Varig, Varig…
Num dos de maior sucesso, na cadência do fado se cantarolava: “Seu Cabral vinha navegando, quando alguém logo foi gritando: terra à vista. Foi descoberto o Brasil. E a turma toda falava, bem-vindo seu Cabral. Mas, Cabral sentiu no peito, uma saudade sem jeito. Vou voltar para Portugal, quero ir pela Varig. Varig, Varig, Varig…”
Porém os tempos são outros e quando se possui um bilhete de volta para casa de uma companhia aérea que passa por um processo de “recuperação judicial”, a gente, naturalmente, passa a prestar mais atenção ao noticiário sobre esta empresa. Quais os próximos vôos que serão cancelados? Os resultados das assembléias de trabalhadores e se vai haver leilão, ou não. Se haverá combustível para a próxima semana; enfim, coisas do gênero.
Na avenida Champs Elisée, 38, primeiro andar, fica a sede da Varig em Paris. Noutros tempos os refugiados políticos, ansiosos por notícias do Brasil, acorriam à sede da Varig para ler jornais e revistas amanhecidos. Na época, ainda não havia Internet e as ligações telefônicas poderiam estar censuradas. Hoje, não há mais jornais brasileiros para ler, porque os vôos que fazem a linha Rio-Paris foram cancelados até o dia 18 de julho. O ambiente na sala é de uma calma silenciosa. Poucas pessoas aguardando e apenas duas zelosas funcionárias realizando o atendimento e explicando que por enquanto nenhum passageiro deixou de viajar para o Brasil. Tão simples quanto o seguinte: - É bom o Sr. chegar mais ou menos ao meio dia (o horário do vôo previsto para as 22:30h.) porque os passageiros de Paris, estão sendo transferidos para Frankfurt ou Londres e dependem de lugares nos vôos da Lufthansa para a Alemanha e de uma outra empresa regional para a Inglaterra e também de lugares nos vôos para o Brasil. “Eles” ainda não cancelaram os horários após o dia 18, então tudo pode acontecer. Nós estamos com poucas informações e elas mudam a todo momento é bom ligar para o call center, mas lembre-se que depois da 18h. não atendem mais. Mas não é, que estou com uma saudade enorme da Varig,Varig, Varig…
A cada nova rota inaugurada pela Varig eram criados jingles e filmetes para a televisão, todos uma atração, que terminavam invariavelmente com o famoso Varig, Varig, Varig…
Num dos de maior sucesso, na cadência do fado se cantarolava: “Seu Cabral vinha navegando, quando alguém logo foi gritando: terra à vista. Foi descoberto o Brasil. E a turma toda falava, bem-vindo seu Cabral. Mas, Cabral sentiu no peito, uma saudade sem jeito. Vou voltar para Portugal, quero ir pela Varig. Varig, Varig, Varig…”
Porém os tempos são outros e quando se possui um bilhete de volta para casa de uma companhia aérea que passa por um processo de “recuperação judicial”, a gente, naturalmente, passa a prestar mais atenção ao noticiário sobre esta empresa. Quais os próximos vôos que serão cancelados? Os resultados das assembléias de trabalhadores e se vai haver leilão, ou não. Se haverá combustível para a próxima semana; enfim, coisas do gênero.
Na avenida Champs Elisée, 38, primeiro andar, fica a sede da Varig em Paris. Noutros tempos os refugiados políticos, ansiosos por notícias do Brasil, acorriam à sede da Varig para ler jornais e revistas amanhecidos. Na época, ainda não havia Internet e as ligações telefônicas poderiam estar censuradas. Hoje, não há mais jornais brasileiros para ler, porque os vôos que fazem a linha Rio-Paris foram cancelados até o dia 18 de julho. O ambiente na sala é de uma calma silenciosa. Poucas pessoas aguardando e apenas duas zelosas funcionárias realizando o atendimento e explicando que por enquanto nenhum passageiro deixou de viajar para o Brasil. Tão simples quanto o seguinte: - É bom o Sr. chegar mais ou menos ao meio dia (o horário do vôo previsto para as 22:30h.) porque os passageiros de Paris, estão sendo transferidos para Frankfurt ou Londres e dependem de lugares nos vôos da Lufthansa para a Alemanha e de uma outra empresa regional para a Inglaterra e também de lugares nos vôos para o Brasil. “Eles” ainda não cancelaram os horários após o dia 18, então tudo pode acontecer. Nós estamos com poucas informações e elas mudam a todo momento é bom ligar para o call center, mas lembre-se que depois da 18h. não atendem mais. Mas não é, que estou com uma saudade enorme da Varig,Varig, Varig…
quarta-feira, 12 de julho de 2006
Grande Zizou
O monumental estádio olímpico, construído pelo III Reich em 1934/36, esperava colorir-se de vermelho, amarelo e preto junto com o verde e amarelo. Alemanha e Brasil : a final dos sonhos dos cartolas da FIFA. Tudo arranjado para o encontro futebolístico do século XXI, com os dois melhores times do mundo. Porém, de repente, pintou a possibilidade do jogo final ser entre a Alemanha e a Inglaterra, ou ainda pior: entre a Alemanha e a França, com direito a Marselhesa e tudo mais. Ia ser meio esquisito, poderia sugerir lembranças inconvenientes.
A sabedoria e o capricho dos deuses da bola quis que o Olimpianstadium se vestisse todo de azul, não aquele da América do Sul, mas o da Azurra contra os Les Bleus. Pode um time com Buffon e Grosso e outro com Barthez e Zizou? Pode. Que ganhe o melhor, ou que se dane (será que eu ouvi Zidane?).
Em Paris, a Avenue Champs Elisée acolhia uma imensidão de gente, muitos com os rostos pintados com azul, branco e vermelho. Havia outros jovens enrolados em bandeiras da Argélia. Poucos italianos com vontade de mostrar a cara. Muitos policiais. A festa toda preparada para a comemoração da vitória da França. Haveria uma festa de gala para a despedida da melhor geração de jogadores que a França já produziu. Como convem, o “chichi”, como é chamado o Jacques Chirac estava no estádio ao lado de madame Merkel, a chanceler alemã. Tudo preparado para o sucesso de mais um impecável evento promovido pela FIFA.
Zinedine Zidane, o craque da copa, o melhor jogador francês de todos os tempos, já estava de saco cheio. Era o segundo tempo da prorrogação do jogo decisivo, em que ele tinha feito um gol de penalty fajuto (de “arbitragem generosa”, como dizem os franceses, ou cavados, como dizemos nós). Afinal ele já tinha ganhado do Brasil, dando um show, com direito a chapéu encima do Ronaldo fenômeno e em não sei mais em quem. O jogo com a Itália estava duro de assistir, quanto mais de jogar, e pelo jeito a copa ia ser decidida novamente nos penalties, um saco. Aí vem aquele cara falar mal da irmã. Não deu outra, como em toda sua vida, ele nunca foi cara de deixar barato, ele partiu pra cima. A idéia era arrebentar o nariz do sem-vergonha que faltou ao respeito, fazer sangrar, mas o cara deu sorte e fez a cena. O babaca não encarou, preferiu se jogar no chão e chamar o juiz.
Na televisão francesa, o Galvão Bueno daqui dizia: Não Zizou, hoje não Zizou, é o dia da sua despedida, você ainda pode ser campeão, hoje não Zizou, daqui a pouco vai ter a cobrança de penalties. Hoje não Zizou…
E sem ele a França perdeu. No dia seguinte, o l’Equipe, o jornal de esportes da França, que havia nos dias anteriores faturado encima dele, não estampava mais sua foto em primeira página e em seu editorial já o chamava de Geni. Como na ópera do malandro: “joga bosta na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é feita pra cuspir”. Como alguém, que tinha recebido tanto carinho da torcida, podia agir daquela maneira? Que mau exemplo para as crianças do mundo inteiro, que estavam assistindo àquele jogo. Como explicar para seus 4 filhos, tal atitude? Que traição aos companheiros em momento tão importante (sic).
Com quais companheiros alinhar Zidane? Com Puskas? Didi? Garrincha? Pelé? Euzébio? Gérson? Beckenbauer? Maradona? Ronaldo????? Com Quem?
A sabedoria e o capricho dos deuses da bola quis que o Olimpianstadium se vestisse todo de azul, não aquele da América do Sul, mas o da Azurra contra os Les Bleus. Pode um time com Buffon e Grosso e outro com Barthez e Zizou? Pode. Que ganhe o melhor, ou que se dane (será que eu ouvi Zidane?).
Em Paris, a Avenue Champs Elisée acolhia uma imensidão de gente, muitos com os rostos pintados com azul, branco e vermelho. Havia outros jovens enrolados em bandeiras da Argélia. Poucos italianos com vontade de mostrar a cara. Muitos policiais. A festa toda preparada para a comemoração da vitória da França. Haveria uma festa de gala para a despedida da melhor geração de jogadores que a França já produziu. Como convem, o “chichi”, como é chamado o Jacques Chirac estava no estádio ao lado de madame Merkel, a chanceler alemã. Tudo preparado para o sucesso de mais um impecável evento promovido pela FIFA.
Zinedine Zidane, o craque da copa, o melhor jogador francês de todos os tempos, já estava de saco cheio. Era o segundo tempo da prorrogação do jogo decisivo, em que ele tinha feito um gol de penalty fajuto (de “arbitragem generosa”, como dizem os franceses, ou cavados, como dizemos nós). Afinal ele já tinha ganhado do Brasil, dando um show, com direito a chapéu encima do Ronaldo fenômeno e em não sei mais em quem. O jogo com a Itália estava duro de assistir, quanto mais de jogar, e pelo jeito a copa ia ser decidida novamente nos penalties, um saco. Aí vem aquele cara falar mal da irmã. Não deu outra, como em toda sua vida, ele nunca foi cara de deixar barato, ele partiu pra cima. A idéia era arrebentar o nariz do sem-vergonha que faltou ao respeito, fazer sangrar, mas o cara deu sorte e fez a cena. O babaca não encarou, preferiu se jogar no chão e chamar o juiz.
Na televisão francesa, o Galvão Bueno daqui dizia: Não Zizou, hoje não Zizou, é o dia da sua despedida, você ainda pode ser campeão, hoje não Zizou, daqui a pouco vai ter a cobrança de penalties. Hoje não Zizou…
E sem ele a França perdeu. No dia seguinte, o l’Equipe, o jornal de esportes da França, que havia nos dias anteriores faturado encima dele, não estampava mais sua foto em primeira página e em seu editorial já o chamava de Geni. Como na ópera do malandro: “joga bosta na Geni, ela é feita pra apanhar, ela é feita pra cuspir”. Como alguém, que tinha recebido tanto carinho da torcida, podia agir daquela maneira? Que mau exemplo para as crianças do mundo inteiro, que estavam assistindo àquele jogo. Como explicar para seus 4 filhos, tal atitude? Que traição aos companheiros em momento tão importante (sic).
Com quais companheiros alinhar Zidane? Com Puskas? Didi? Garrincha? Pelé? Euzébio? Gérson? Beckenbauer? Maradona? Ronaldo????? Com Quem?
domingo, 2 de julho de 2006
Paris futebol visto daqui
O som das buzinas, tão familiar nos dias das grandes vitórias: os carros passando com bandeiras, uma verdadeira procissão de jovens, os gritos, fizeram-nos pensar que o resultado do jogo não era o que nós havíamos acompanhado pela televisão. Afinal quem havia ganhado?
Nós tínhamos assistido a uma exibição de Zidane e o nosso time em dia de pelada, chutando a bola para qualquer lado, pior que na copa de 1998. Porque tanto barulho se o Brasil tinha perdido?
Pois aí caiu a ficha, nós estamos aqui na terra deles.
Parece que os franceses já ganharam a copa. Na verdade, para eles é como reconhecer a firma da vitória que tiverem sobre nós, na copa da França. Agora, em campo neutro, essa geração de “velhos” mostrou que podia ganhar do Brasil. Foi como uma lavagem de alma para eles. Sentíamos durante os momentos que antecediam o jogo que eles tinham certeza que venceriam o Brasil, que precisavam ganhar do Brasil, mostrar que a outra vitória, a de 98, não tinha sido um acidente arranjado. Era a confirmação de que eles haviam sido campeões do mundo. O povo foi às ruas celebrar o feito, eles ganharam dos galáticos, dos atuais campeões do mundo, de uma equipe que parecia invencível.
Eles não perdem por esperar, o que eles não se deram conta é que um outro brasileiro segue ainda campeão: seu nome é Felipão, o cara ainda está invicto, como técnico, em copas do mundo. À tarde, em uma partida dramática os portugueses passaram por cima do “English team” e também foram para as semi-finais. Vamos a ver, ó pá! A vingança vem a cavalo, e é dos pampas, tchê.
Não desejamos comentar a mediocridade do nosso time.
Mas uma coisa é certa, os franceses não vão ter a mesma moleza contra o time do Felipão. Eles têm time para vencer, mas parece que o principal objetivo deles já foi atingido, porque o barulho que fazem é infernal. Não sei se vamos conseguir dormir.
Nós tínhamos assistido a uma exibição de Zidane e o nosso time em dia de pelada, chutando a bola para qualquer lado, pior que na copa de 1998. Porque tanto barulho se o Brasil tinha perdido?
Pois aí caiu a ficha, nós estamos aqui na terra deles.
Parece que os franceses já ganharam a copa. Na verdade, para eles é como reconhecer a firma da vitória que tiverem sobre nós, na copa da França. Agora, em campo neutro, essa geração de “velhos” mostrou que podia ganhar do Brasil. Foi como uma lavagem de alma para eles. Sentíamos durante os momentos que antecediam o jogo que eles tinham certeza que venceriam o Brasil, que precisavam ganhar do Brasil, mostrar que a outra vitória, a de 98, não tinha sido um acidente arranjado. Era a confirmação de que eles haviam sido campeões do mundo. O povo foi às ruas celebrar o feito, eles ganharam dos galáticos, dos atuais campeões do mundo, de uma equipe que parecia invencível.
Eles não perdem por esperar, o que eles não se deram conta é que um outro brasileiro segue ainda campeão: seu nome é Felipão, o cara ainda está invicto, como técnico, em copas do mundo. À tarde, em uma partida dramática os portugueses passaram por cima do “English team” e também foram para as semi-finais. Vamos a ver, ó pá! A vingança vem a cavalo, e é dos pampas, tchê.
Não desejamos comentar a mediocridade do nosso time.
Mas uma coisa é certa, os franceses não vão ter a mesma moleza contra o time do Felipão. Eles têm time para vencer, mas parece que o principal objetivo deles já foi atingido, porque o barulho que fazem é infernal. Não sei se vamos conseguir dormir.
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